30 Agosto 2010

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 10 – 3º Trimestre 2010 (28 de Agosto a 03 de Setembro)

 

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 10 – 3º Trimestre 2010 (28 de Agosto a 03 de Setembro)

Comentário: Gilberto G. Theiss

SÁBADO, 28 DE AGOSTO
Redenção para Judeus e Gentios


“Logo, te Ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem Lhe apraz” (Rm 9:18).

Como está escrito: “Amei Jacó, porém Me aborreci de Esaú.... Pois Ele diz a Moisés: Terei misericórdia ...Compadecer-Me-ei de quem Me aprouver ter compaixão” (Rm 9:13,15 Citado na lição).

“Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mt 22.14). Muitos questionam o livre arbítrio concedido por Deus diante de textos como estes. Como poderíamos entender o livre arbítrio concedido a todos humanos, quando a Escritura nos orienta que nem todos são escolhidos? A escolha e a rejeição da parte de Deus não poderia ser uma quebra deste princípio?

De fato, muitos são chamados, e vou mais além, creio que na verdade todos são chamados, velhos, crianças, jovens, adolescentes, adultos, brancos, negros, enfim, todos, mas infelizmente somente poucos são escolhidos, porque são poucos os que aceitam e escolhem a Cristo verdadeiramente. A escolha de Deus, é resultado da própria escolha humana. Deus chama todos, mas somente são escolhidos, os que se escolhem para Deus.

DOMINGO, 29 DE AGOSTO
A preocupação de Paulo
(Rm 9.1-12)

e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Ex 19.6).

No Antigo Testamento, Deus havia se revelado ao povo de Israel de maneira surpreendente e milagrosa. Portanto, ao se tornarem uma nação modelo, representante do caráter de Deus, deveriam levar as boas novas aos povos apresentando a salvação no cordeiro que tira o pecado do mundo. Eles deveriam alcançar as nações vizinhas com o evangelho (Is 56:7; 66:18-21; Za 8:22-23; Is 2:2-3), apresentando a redenção eterna através do messias que viria. Infelizmente o povo falhou ao deixar de representarem o caráter de Deus e por transformar o plano de Deus de salvação pela graça em salvação pelas obras (Ex 19:8; 24:3,7; Rm 9:31-32).

Embora o povo de Israel tenha falhado em cumprir os propósitos de Deus, Paulo esclarece em Romanos 9 que eles não haviam falhado completamente. Deus sempre foi muito seletivo procurando manter Sua promessa, mesmo em detrimento da maioria. Nem todos da semente de Abraão foram contados entre os descendentes das promessas de Abraão. Nem todos que viessem das entranhas de Isaque e Jacó seriam descendentes da promessa. Entretanto, sempre houve um remanescente, mesmo sendo poucos, a promessa e os planos de Deus alcançaram seus propósitos. O mesmo podemos dizer da igreja hoje, pois nem todos que são Adventistas serão selados no dia do selamento, mas isto não significa que Deus não conseguirá cumprir seus propósitos com esta igreja. Mesmo sendo poucos, Deus ainda é capaz de cumprir Seus grandes propósitos com a pequena minoria.

Assim foi com o povo de Israel e assim será com a igreja nos últimos dias. A linhagem ou herança, não garantem a salvação. Desta mesma forma, possuir o nome no livro da igreja, também não garante absolutamente nada em termos savíficos. É a fé, fé que opera por amor, que revela os que são verdadeiramente  “filhos da promessa” (Rm 9:8).

 SEGUNDA, 30 DE AGOSTO
Eleitos

“Como está escrito: Amei a Jacó e aborreci a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão” (Rm 9:13-15).

Romanos 9 não apresenta a salvação de modo individual. Isto é de máxima importância para não cairmos no erro da predestinação. Se observarmos o contexto bíblico da vida, aceitação de Jacó e rejeição a Esaú, perceberemos que as escolhas e bênçãos outorgadas por Deus a nós, dependem em muito, de maneira muito especial, à reação que teremos diante de Seu chamado. Como é apresentado nos versos 14 e 15, não é somente nós que temos direitos de escolhas, Deus também tem as suas escolhas, e geralmente elas se apresentam na medida e forma em que reagimos diante do chamado de Deus. Imagine que você tenha feito algumas promessas aos seus filhos, mas estas promessas foram feitas sob a condicionalidade de suas atitudes. Se eles tirarem boas notas na escola e se comportarem bem nas aulas, passando de ano, ambos ganhariam uma linda bicicleta. Mas, ao chegar no fim do ano, apenas um dos filhos passara de ano. De maneira justa, você como pai, faz sua própria escolha, ou seja, escolhe cumprir sua promessa dando a bicicleta apenas para ao que passou de ano, enquanto que o outro, de maneira diferente, não recebeu o cumprimento da devida promessa.

Deus amou Jacó no sentido de ter outorgado a ele o direito de cumprir papéis específicos especialmente nos aspectos espirituais. Esaú recebeu o aborrecimento de Deus, porque deixou de cumprir determinados quesitos necessários. Querendo ou não, a lei da causa e efeito é válida, mesmo nos aspectos espirituais. Os perdidos serão achados em falta, porque de alguma forma rejeitaram viver em conformidade com os valores do evangelho eterno, enquanto que outros, mesmo ao custo de sacrifícios pessoais, fizeram de tudo para que o amor de Deus e Seus princípios pudessem ser uma realidade em suas vidas. Não tem como uma pessoa chegar a posição de chefe em uma empresa, quando ele não veste a camisa da empresa. E ainda correrá sérios riscos de ser despedido, caso faço mal uso de suas funções na empresa.

 TERÇA, 31 DE AGOSTO
Mistérios

(Rm 9.17) “Pois diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra.”
(Rm 9.18) “Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.”
(Rm 9.19)” Dir-me-ás então. Por que se queixa ele ainda? Pois, quem resiste à sua vontade?”
(Rm 9.20) “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?”
(Rm 9.21) “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso?”
(Rm 9.22) “E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;”
(Rm 9.23) “para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória,”
(Rm 9.24) “os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”

“Porque os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os Meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a Terra, assim são os Meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os Meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55:8-9).

Deus, em Seu trato com o Egito, tinha como objetivo apresentar quem de fato era o verdadeiro Deus. As dez pragas derramadas tinham como objetivo anular os dez principais deuses adorados por aquele povo.

O objetivo maior era que o povo abandonasse seus ídolos para se achegarem ao único Deus existente e verdadeiro. É claro que a maioria, assim como faraó, já haviam feito suas escolhas, e o fato de Deus ter endurecido o coração de Faraó (Retirado dele o Espírito Santo), é uma evidência clara de sua rejeição. Além do mais, Faraó resistiu até o limite o pedido de Moisés para que o povo tivesse liberdade de adorar o Deus verdadeiro fora dos muros do Egito.

Infelizmente, nem todos são constituídos como vasos para honra, muitos se tornam vasos para desonra. Mas, embora não consigamos entender muitas coisas, uma entre tantas podemos. As escolhas partem de nós, pois somos nós mesmos que tomamos as decisões para o bem ou para mal. Faraó é um exemplo disto, pois resistiu até o fim aos apelos de Deus. Viu suas divindades sendo deitadas por terra, presenciou os milagres de Deus diante de seus olhos e por fim, sucumbiu-se diante de suas escolhas erradas. O mesmo pode acontecer conosco hoje. A graça abundante e a presença do Espírito Santo ainda se faz presente em nossa vida. Mas Deus não força nós o escolhermos, esta escolha precisa partir de nós. Assim como os Egípcios precisavam abandonar seus deuses, assim nós precisamos nos abster dos nossos, aqueles que tanto criamos ao endurecer nosso coração.

QUARTA, 01 DE SETEMBRO
Ammi: “Meu Povo”

Rm 9.25 Como diz ele também em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; e amada à que não era amada.
Rm 9.26 E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; aí serão chamados filhos do Deus vivo.
Rm 9.27 Também Isaías exclama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo.
Rm 9.28 Porque o Senhor executará a sua palavra sobre a terra, consumando-a e abreviando-a.
Rm 9.29 E como antes dissera Isaías: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, teríamos sido feitos como Sodoma, e seríamos semelhantes a Gomorra.

Oséias com seu casamento nem um pouco amistoso é mencionado na carta de Paulo. O objetivo do apóstolo é mostrar a relação existente entre o povo de Israel com o paganismo. Assim como Oséias se juntara a uma prostituta, o povo de Israel também havia se juntado com deuses estranhos. Os filhos de Oséias receberam nomes que os caracterizavam, como um povo idólatra. Naquele tempo as crianças recebiam de seus pais nomes característicos. Podia-se conhecer muito bem uma pessoa por seu nome, pois era nesta essência que o caráter, característica ou geração das pessoas podiam ser conhecidas. No caso de Oséias não foi diferente, podemos ver esta tradição bem destacada na terceira criança quando ela recebe o nome de Loammi (Os 1:9), que significa “não meu povo”. Entretanto, Oseias predisse que depois da maldição ou castigo, viriam as bênçãos, pois Deus restabeleceria sua fortuna, removeria todos os seus ídolos para refazer com o povo a aliança (Os 2:11-19).

Com esta relação reconstruída, Loammi não mais seria chamado desta maneira, mas passaria a ser chamado Ammi que significa “Meu povo”. Paulo, falando a respeito dos laços refeitos entre Deus e o povo, reclamaria novamente os povos, de seus filhos (Rm 9:26). Hoje todos nós somos Ammi, ou seja, povo de Deus. Graças ao bom Deus que uma descendência fora deixada, pois se assim não fosse, teríamos sido feitos como Sodoma e Gomorra (Rm 9:29). Todavia, nem todos dentre o povo de Deus permanecerão firmes até o fim. “Ainda que o número do povo de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” (Rm 9:27). Se trouxermos para os nossos dias esta predição, e se os números e as profecias não falharem, muito, mesmo dentre nós, não  permanecerão firmes ao lado da verdade. A este respeito escreveu Ellen White:

“Permanecer ao lado da verdade e da justiça quando a maioria nos abandona, ferir as batalhas do Senhor quando são poucos os campeões; esta será nossa prova. Naquele tempo devemos tirar calor da frieza dos outros, coragem de sua covardia e lealdade de sua traição” (I TS, p.32).

Mas Deus é maravilhoso e está sempre atento ao nosso arrependimento e desejo de perdão. Não dispensará absolutamente nenhuma alma sincera que se achegue a ele com humildade e desejo de salvação.

QUINTA E SEXTA, 02 E 03 DE SETEMBRO
Tropeçando

Rm 9.30 Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé.
Rm 9.31 Mas Israel, buscando a lei da justiça, não atingiu esta lei.
Rm 9.32 Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras; e tropeçaram na pedra de tropeço;
Rm 9.33 como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço; e uma rocha de escândalo; e quem nela crer não será confundido.

Os Israelitas haviam transformado o plano da salvação em salvação pelas obras (Ex 19:8; 24:3,7; Rm 9:31-32), e Paulo, enfatizou com muita veemência, que eles buscaram apenas a lei da justiça. Agora, tendo a oportunidade de reconhecer o verdadeiro papel da graça, muitos a desperdiçavam preferindo seguir suas próprias conclusões legalistas do que a fé. Neste caso, como citado no verso 32 e 33, Cristo acabou sendo para eles uma pedra de tropeço por não preencher os requisitos mínimos esperados. Esta falsa impressão e compreensão os levara a uma confusão salvífica. Entretanto, os gentios não tiveram o mesmo problema, pois, eles não olhavam para a justiça como meios de alcance humano, na verdade entenderam bem, que a justiça vem pela fé somente.

Parece que a história não mudou muito desde aqueles tempos. Em nossos dias, ainda existem pessoas, que, como os Judeus antigos, buscam viver sob o fardo do legalismo ou do perfeccionismo. Misturam Justificação com Santificação e por fim acabam criando uma teologia salvífica extremamente confusa. A Justificação e a Santificação não podem ser lançadas ao liquidificador para serem batidas juntas. Cada um tem o seu devido lugar na teologia. Toda e qualquer salvação, não depende da guarda da lei, não dependem de nossa obediência. Salvação é um dom que não merecemos, e se não merecemos, não há absolutamente nada que possamos fazer para possuir algum crédito salvífico. Tudo vem de Cristo, pela fé é que as coisas acontecem, pela fé é que nossa obediência deve se tornar vitalícia, pela fé é que nossas obras devem surgir e produzir frutos.

Reflexão
Há uma eleição de indivíduos e de um povo. A única eleição encontrada na Palavra de Deus, em que alguém é escolhido para a salvação. Muitos têm olhado para o fim, pensando terem sido certamente eleitos para a glória celestial; mas não é esta a eleição que a Bíblia revela. As pessoas são escolhidas para efetuar sua salvação com temor e tremor. São escolhidas para envergar a armadura, para pelejar a boa peleja da fé. São escolhidos para usar os meios que Deus colocou ao seu alcance para lutar contra todo desejo profano, enquanto Satanás executa o jogo da vida pela sua destruição. São escolhidos para vigiar em oração, para examinar as Escrituras, e evitar entrar em tentação. São eleitos para ter fé continuamente, eleitos para ser obedientes a cada palavra que procede da boca de Deus, para que não sejam apenas ouvintes, mas praticantes da Palavra. Essa é a eleição bíblica” (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 453, 454).
“Nenhum espírito finito pode compreender completamente o caráter ou as obras do Ser infinito. Pelas nossas pesquisas, não podemos encontrar Deus. Para os espíritos mais fortes e mais altamente educados, assim como para os mais fracos e ignorantes, aquele Ente santo deverá permanecer revestido de mistério. Mas conquanto ‘nuvens e obscuridade [estejam] ao redor dEle, justiça e juízo são a base do Seu trono’ (Sl 97:2). Podemos compreender Seu trato para conosco a ponto de discernir a misericórdia ilimitada unida ao infinito poder. É-nos dado compreender tanto de Seus propósitos quanto somos capazes de abranger; para além disto podemos ainda confiar naquela mão que é onipotente, naquele coração repleto de amor” (Ellen G. White, Educação, p. 169).

 Gilberto G. Theiss, nascido no estado do Paraná, é membro da Igreja adventista do Sétimo dia desde 1996. Crê integralmente nas 28 doutrinas Adventista como consta no livro “Nisto Cremos” lançado pela “Casa Publicadora Brasileira”. Foi ancião por 3 anos na Igreja Adventista do Sétimo dia da cidade de Nova Rezende/MG e por 6 anos na Igreja Central de Guaxupé/MG. Foi Obreiro bíblico na mesma cidade e hoje, além de ser coordenador do curso básico de reforço teológico para líderes de igreja pelo site www.altoclamor.com, está Bacharelando no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. Gilberto G. Theiss é autor de alguns livros e é inteiramente submisso e fiel tanto a mensagem bíblico-adventista quanto a seus superiores no movimento Adventista como pede hebreus 13:17. Toda a mensagem falada ou escrita por este autor é filtrada plenamente pelo que rege a doutrina bíblica-adventista do sétimo dia. Contato: altoclamor@altoclamor.com

23 Agosto 2010

A tradição ética helênica


A Tradição Ética Helênica

GRENZ, Stanley. A busca da moral: fundamentos da ética cristã. Tradução de Almiro Pisetta. São Paulo: Vida, 2006.
A tradição ética helênica foi marcada pelo desenvolvimento filosófico de grandes filósofos nos tempos gregos e que largamente influenciou o mundo pós Grécia, alcançando mesmo algumas religiões do passado e até do presente, especialmente o cristianismo. Em sentido mais amplo e geral, pode-se definir a ética como “filosofia moral”, que “envolve a reflexão sobre a moralidade, problemas e juízos”. Como já mencionado acima, a reflexão moral não se restringe apenas aos cristãos, uma vez que fora discutida mesmo entre os grandes filósofos. Eles puderam fornecer o molde “que deu forma à tradição ética ocidental”. Embora muitos dos códigos de ética tenham vindo de muitas discussões filosóficas helênica, o cristianismo herdou grande parte de sua ética do povo hebreu.
Platão. Para Platão, as definições mais perfeitas poderiam vir a partir de nossa compreensão do subjetivo ou imaterial. Para ele o espiritual, o superior era mais sublime e real. As virtudes de cada ser humano tanto racional quanto passional formavam a alma e a integração ordenada que conseqüentemente levou-o ao entendimento da virtude.  Para este filósofo, as más ações eram resultado da ignorância e as atitudes boas e a busca pelo bem eram resultantes da razão, do entendimento e da sabedoria. Com respeito da sociedade ordenada, ele acreditava que o conceito de justiça envolvia o conceito individual e da contribuição para o todo. Com o tempo, Platão “passou a defender uma vigorosa moralidade de estrita virtude”, e a busca do bem se resume em uma vida de integração ordenada. “Podemos resumir o conselho de Platão para a vida ética: cuidado com o prazer, especialmente os prazeres do corpo; procure antes conseguir equilíbrio e harmonia na vida, de modo que você possa empreender buscas intelectuais, em cujo ápice está a contemplação da forma do bem”.
Aristóteles. “Sua proposta ética começa com a questão acerca do propósito ou função da pessoa humana (nossa causa final)”. Embora voltado para algumas questões dos desejos e do prazer do humano, ele não era totalmente hedonista. Acreditava que tudo se focava mais para a busca da felicidade. “A felicidade é então a mais nobre e a mais agradável coisa do mundo”. Para ele o conceito de felicidade era o de sentir-se bem, envolvendo o viver ou o comportar-se. Em outras palavras, a felicidade é o exercício efetivo da razão. Para ele, com respeito a virtude, é uma qualidade que permite as pessoas “funcionarem bem – cumprir suas funções com eficiência”.
A disposição de caráter e aprimoramento moral era uma das preocupações de Aristóteles. Ele dizia que não devemos apenas entender o que é certo, mas devemos agir em função do que é certo. Mas, dizia que as ações certas nem sempre tornava as pessoas virtuosas. Acreditava que era possível nos tornar pessoas virtuosas desde que usássemos nossa vontade para alcançar este ideal. Ao contrário de Platão, Aristóteles acreditava mais no  metafísico como fonte da ciência.
Epicuro e a paz Espírito. Epicuro acreditava que o conhecimento nasce dos nossos sentidos e não meramente das idéias dos filósofos. Ele desenvolveu uma ética mais baseada na serenidade  e paz de Espírito, contrastando com o foco do conhecimento eterno, que caracterizou Platão e Aristóteles.
Epicuro acreditava na virtude como princípio do prazer desde que ela fosse capaz de nos ajudar a escolher os prazeres certos. “O prazer deve ser produzido pela razão, que age com sobriedade, examina os motivos de todas as escolhas e rejeições e afasta todas aquelas opiniões por meio das quais a confusão toma conta da mente”. Para Epicuro, o prazer e a dor da mente são mais significativos do que o do corpo. Ele negou que alguma providência divina governe o mundo, acredita que até mesmo os deuses não passam de meros átomos. Os deuses não possuem interesse pelos humanos e muito menos controlam-na. Por esta razão é que ele acredita na conseqüência física dos acontecimentos e não teológica. Inclusive diz ele que por não haver retribuição divina, não precisamos temer a morte.
Este filósofo Acreditava substancialmente na prudência e no valor da amizade. Segundo ele, a prudência leva o sábio a evitar a dor que aflige e a escolher os prazeres certo, isto é, tudo o que facilita a serenidade  a paz de espírito. A amizade propagada por Epicuru, parece muito superficial e extremamente frágil e parece mais estar fundamenta no interesse do que na utilidade mútua.
Os Estóicos e o autocontrole resignado. Para este tipo de tradição filosófica, o objetivo primeiro da vida é a sabedoria. Acreditavam que a sabedoria era viver segundo a natureza e não como a contemplação das coisas eternas. A realidade é racional, pois a natureza é regida pelas leis da razão. A vida é guiada pela providência. Viver bem, consiste em viver segunda a natureza, isto é, de acordo com os princípios do universo. Permitir que as leis do universo permeiem a nossa vida. Este tipo de filosofia acredita que devemos viver sob as rédeas  dos deveres mútuos exigidos pela cidadania do universo.
Plotino e a união com o Divino. Com Plotino, na verdade ressurge o neoplatonismo. Platão acreditava que viver bem consiste bem no abandono dos sentidos para buscar a contemplação das formas eternas. Porém na teoria Plotino, nos levam mais a interioridade da alma, talvez mais ao místico e ao êxtase. Nessa experiência, a alma torna-se divina. A divinização da alma resulta nos deveres Moraes, na regulação dos prazeres e no conviver em comunidade.
Conclusão crítica. O tema em estudo abrangeu de forma sintetizada os argumentos e pensamentos de alguns dos principais filósofos gregos, a respeito da ética, conduta, moral, etc.
Embora o texto tenha sido escrito em uma linguagem meio que erudita, é possível perceber que cada filosofo tinha uma determinada preocupação com variadas atitudes, especialmente no que diz respeito à convivência mútua. A busca da felicidade e a busca das atitudes do bem, individual e coletiva eram determinantes entre eles. A contribuição pode ser real, desde que filtremos estes pensamentos com a ética cristã.


[1] Gilberto G. Theiss está Bacharelando em Teologia pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 09 – 3º Trimestre 2010 (21 a 27 de Agosto)


Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 09 – 3º Trimestre 2010 (21 a 27 de Agosto)

Comentário: Gilberto G. Theiss

Liberdade em Cristo


“Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8:1, RC).

Certa vez, um jovem, pertencente a uma igreja evangélica, questionou a obediência à lei de Deus fazendo uso de Romanos 8:1 “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo”, ensinando que não é necessário guardar mandamento algum. Esta afirmação é um tanto curiosa, pois, alguns confundem liberdade com libertinagem. É claro que, possivelmente, este jovem evangélico, tenha dito estas palavras sem analisar os prejuízos que esta afirmação poderia trazer. Deus não nos convida à salvação para viver na libertinagem, Ele nos convida não para termos liberdade no pecado, mas para termos liberdade do pecado e de suas conseqüências.

Satanás, desejou possuir o poder de Deus, mas não desejou possuir o caráter. Da mesma forma, muitos pretendem possuir o poder de Deus, Seus favores, Sua bondade, suas curas, mas fogem do objetivo de possuir o caráter de Deus na vida.

Romanos 8, apresenta agora a vitória sobre o pecado, a destruição das algemas que aprisionava o crente na carne. Isto, é claro, não vem da lei, mas do poder de Deus. A lei apenas conduz o sincero aos pés da cruz, e o sincero, ao chegar aos pés da cruz, com o coração contrito e desejoso de ser liberto, alcança, nos méritos de Cristo, pela fé, a tão sonhada liberdade, não dá lei, mas do pecado, de suas conseqüências e de sua condenação.

DOMINGO, 22 DE AGOSTO
Liberdade da condenação

Como já ilustrado anteriormente, gostaria de relembrar uma história fictícia para entendermos o que significa ser libertados...

Estamos diante de um tribunal, com jurados, juiz, promotor, advogado e uma assembléia de expectantes a observar o julgamento. O réu, uma pessoa extremamente conhecida por suas transgressões, se vê diante de provas contundentes de sua culpa. Depois de intenso julgamento, com poucas provas a favor e inumeráveis provas contra, o juiz bate o martelo e divulga ao público a sentença, morte por cadeira elétrica. Todos se assombram, mas não ficam surpreendidos, pois todas as evidências incriminavam o réu e davam suporte à sentença, embora penosa, ainda era demasiado pouca para tais transgressões cometidas. Derepente, alguém em meio ao publico se levanta e diz com alta e clara voz: Senhor Juiz, eu gostaria de livrar este homem de sua culpa e de sua sentença, eu me ofereço para assumi-las, gostaria de substituí-lo. Bom, esta história, como percebido, é fantasiosa, mas, a história da raça humana diante do conflito entre o bem e o mal, não é.
Diante do tribunal do céu, todos nós, culpados pela transgressão, estávamos sentenciados a morte eterna. Diante do tribunal do céu, Deus (na pessoa de Jesus), se ofereceu para assumir e nos substituir em nossa pena eterna. Esta história é tão real que a cruz foi levantada entre o céu e a terra com o objetivo de salvar e restaurar todos os que aceitassem e se entregassem a Cristo permitindo que Sua justiça absorvesse toda nossa injustiça perante o céu. Em outras palavras, o precioso sangue de Cristo, torna nossa ficha criminal limpa diante do tribunal celestial. Isto é substituição, isto é na mais pura essência expiação e  justificação pela fé.
Mas, é importante entender que, embora a condenação tenha sido suspensa, por Cristo as ter assumido em Sua vida por nós, Deus não oferece justificação para vivermos na liberdade da transgressão praticando injustiças. O fato mais surpreendente, é que muitos, parecem desejar ser salvos da lei de Deus e não do pecado. Querem ficar livres da lei para continuar pecando. Pelo menos é o que transparece, pois certa vez me encontrei com uma pessoa que se dizia ser cristã, conversando com ela a respeito das verdades que descobrira, para minha surpresa, ela disse que preferia não ter conhecido a verdade. Mas, agora, por conhecer a verdade, terá que buscar viver a verdade, e é exatamente isto que a incomodava.

Parece que o amor de Cristo ainda não alcançou o coração de algumas pessoas, pois, parece que, depois de algum tempo, começam a sentir saudades dos pecados. Deus através de Cristo, oferece vitória, felicidade e liberdade do pecado e também da força e poder do pecado. A promessa de Deus é completa e suficiente. A mesma graça que salva é a mesma que nos conduz a cumprir os deveres da vida (Santificação, p. 87 e 81), em outras palavras, tudo o que temos a fazer é, permitir que Deus através do Espírito Santo trabalhe em nós a “lei do Espírito da vida”, ou seja, o plano de Cristo para salvar e regenerar, afastando de nós a “a lei do pecado e da morte” mediante a atuação do Espírito Santo (Rm 8:2).

SEGUNDA, 23 DE AGOSTO
O que a lei não pode fazer

Rm 8.3 Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado.
Rm 8.4 para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.

Embora a lei do trânsito seja boa, ela jamais poderá livrá-lo da infração cometida. Embora a lei da química seja boa, ela jamais poderá livrá-lo da morte caso  você tome um veneno letal. Embora a lei da física seja boa, ela jamais poderá livrá-lo do estrangulamento caso você resolva pular de um prédio muito alto. Da mesma forma, a lei de Deus, embora seja muito boa, ela não poderá livrá-lo da condenação caso continue vivendo na transgressão.

É aqui que entra o maravilhoso dom da salvação mediante a Cruz do calvário. Jesus Cristo, pagando a culpa que era nossa, assumiu todas as penas da infração cometidas por nós. Mas, como já mencionado, Ele não assumi as minhas transgressões para que eu continue vivendo na impiedade. Ele nos salva, e também nos habilita à crucificarmos a carne, com suas paixões e os seus desejos (Gl 5:24), para refletirmos o caráter de Cristo. Nosso ideal na vida cristã, é buscar fazer a vontade de Deus deixando de viver na carne para viver no espírito. Viver na carne significa viver no pecado, enquanto que viver no espírito significa viver obedecendo a lei de Deus pelo poder, atuação e regeneração do Espírito Santo (Rm 8:5 e 7).

TERÇA, 24 DE AGOSTO
A carne contra o Espírito

Rm 8.5 Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito.
Rm 8.6 Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.
Rm 8.7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser;
Rm 8.8 e os que estão na carne não podem agradar a Deus.

“Inclinam-se” como mencionado no verso 5, no grego (Kata), é usado como, “com propósito de, de acordo com, em conformidade com” (NETO, Joaquim A. COSTA, Isael Santos S. Léxico Analítico do Grego do Novo Testamento, p. 210).

Paulo parece afirmar propositalmente, que há grupos de pessoas vivendo em conformidade com os desejos da carne e que tais, não poderão jamais agradar a Deus. Somente os que forem inclinados (Kata) para o Espírito, é que terão vida e paz. Em outras palavras, somente os que viverem em conformidade com o Espírito, não na carne, é que receberão a vida. No verso 7, Paulo deixa bem claro que, os inclinados para as paixões da carne são exatamente aqueles que não estão sujeitos à lei de Deus. Tal pronunciamento evidencia a legitimidade e importância da lei e que ela não fora alterada como sugerem alguns.

Por outro lado, haviam os Judeus que viviam na obediência à lei tanto quanto a aceitação plena do sacrifício de Jesus. Tal extremo precisava ser remediado, pois a obediência sem Cristo, como substituto pleno do homem, não tem absolutamente nenhum valor.

Diante dos Judeus e diante dos gentios, Paulo tentou ser preciso quanto ao que tange a salvação e a conduta humana diante da salvação. Para os gentios, o apóstolo deixou claro que aceitar a Cristo, mas sem obedecê-lo, viveriam no desagrado de Deus, entretanto para os Judeus, Paulo afirmou que a lei sem Cristo também não tinha nenhum valor.

De qualquer forma, como ensinado nestes versos, aqueles que vivem na transgressão, vivem em conformidade com as paixões da carne, mas os que vivem no Espírito ou guiados pelo Espirito, são os que vivem em conformidade com a lei de Deus.

QUARTA, 25 DE AGOSTO
O Espírito em nós

Rm 8.9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.
Rm 8.10 Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.
Rm 8.11 E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.
Rm 8.12 Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne;
Rm 8.13 porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.
Rm 8.14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.

“Espírito de Deus habita em vós” significa que Deus ou Cristo habita no coração humano através da presença do Espírito Santo. Paulo faz uma declaração muito contundente no verso 14, dizendo que “todos que são guiados pelo Espírito de Deus, esse são filhos de Deus”. É possível não receber o título de filho de Deus se negarmos a presença do Espírito Santo na vida? Há muitas maneiras de negar a atuação do Espírito, e uma delas seria viver na carne ou viver na transgressão da lei (Rm 8:12, 7).

            Nossa luta contra o pecado deves ser constante, inclusive o pai da justificação pela fé, Martinho Lutero, ensinou que o pecado é como uma barba, precisa ser cortado constantemente. Isto implica em luta, abandono do próprio eu e sacrifício diário. Mas a realidade é que não somos chamados a colocar o barco de nossa vida à deriva, somos chamados para compartilhar com Deus através do Espírito Santo nossas lutas. Assim, a vitória contra o pecado, poderá ser uma realidade. Sozinhos seremos mais que derrotados, mas, com Cristo, seremos mais que vencedores. A carne, ou o pecado, possui um poder que nós sozinhos não podemos vencer, mas com Cristo, pela atuação do Espírito Santo em nossa vida, poderemos viver em paz e resistentes as provas. De qualquer forma, se alguém cair, não é motivo para desistências, pelo contrário, é motivo sublime para nós nos apegarmos com mais força em Cristo para tomarmos posse da vitória.

QUINTA E SEXTA, 26 E 27 DE AGOSTO
Adoção contra escravidão

Rm 8.15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!
Rm 8.16 O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus;
Rm 8.17 e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.

Aprecio uma frase muito popular e conhecidíssima, que diz: “Não sou dono do mundo mas sou filho do dono”.

Quando olhamos para nossa situação, quando olhamos para as desgraças que caem sobre o mundo, quando vemos a situação caótica da moral humana, é ai que podemos olhar para o céu e dizer, como é bom ser filho de Deus.

Quantos hoje saíram das algemas do pecado, da escravidão de suas paixões, e libertados, olham com admiração para a cruz do calvário. A cruz é um mero símbolo de entrega, compaixão e amor, mas quando olhamos para ela, não enxergamos apenas as madeiras cheias de manchas de sangue; simplesmente olhamos para ela, com o intuito de enxergar nela o Senhor da glória, o Deus encarnado que assumiu a forma humana para poder nos alcançar com Sua graça maravilhosa. Não existe história mais linda e profunda como esta, principalmente em um mundo tão cheio de fantasias e histórias irreais. Jesus Cristo atravessou o universo, adentrou na atmosfera deste miserável planeta para nascer, crescer, sofrer, se humilhar e por fim ser pendurado entre o céu e a terra para nos ligar com o céu e nos tornar filhos pela adoção. Estávamos desgarrados mas Deus nos oferece vitória, vida eterna e felicidade sem fim. A minha conclusão é, nada neste mundo é tão importante e sublime quanto o de nos manter firmes ao lado de nosso terno Salvador. Nada.

Reflexão

O plano de salvação não oferece aos crentes uma vida livre de sofrimento e provações deste lado do reino. Pelo contrário, chama-os a seguir a Cristo pelo mesmo caminho de abnegação e renúncia. ... É por essas provações e perseguições que o caráter de Cristo é reproduzido e revelado em Seu povo. ... Partilhando os sofrimentos de Cristo, somos educados, disciplinados e preparados para compartilhar as glórias do além” (The SDA Bible Commentary, v. 6, p. 568, 569).

“A corrente que desce do trono de Deus é suficientemente longa para alcançar as maiores profundezas. Cristo é capaz de levantar de sua degradação os mais empedernidos pecadores e colocá-los onde possam ser reconhecidos como filhos de Deus, herdeiros com Cristo da herança imortal” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 7, p. 229).

“Alguém honrado por todo o Céu veio a este mundo para, revestido da natureza humana, postar-Se à cabeceira da humanidade, testificando aos anjos caídos e aos habitantes dos mundos não caídos que, pelo auxílio divino que foi provido, todos podem andar na vereda da obediência aos mandamentos de Deus. ...

“Nosso resgate foi pago por nosso Salvador. Ninguém precisa ser escravizado por Satanás. Cristo está presente, como nosso ajudador todo-poderoso” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 309).

Gilberto G. Theiss, nascido no estado do Paraná, é membro da Igreja adventista do Sétimo dia desde 1996. Crê integralmente nas 28 doutrinas Adventista como consta no livro “Nisto Cremos” lançado pela “Casa Publicadora Brasileira”. Foi ancião por 3 anos na Igreja Adventista do Sétimo dia da cidade de Nova Rezende/MG e por 6 anos na Igreja Central de Guaxupé/MG. Foi Obreiro bíblico na mesma cidade e hoje, além de ser coordenador do curso básico de reforço teológico para líderes de igreja pelo site www.altoclamor.com, está Bacharelando no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. Gilberto G. Theiss é autor de alguns livros e é inteiramente submisso e fiel tanto a mensagem bíblico-adventista quanto a seus superiores no movimento Adventista como pede hebreus 13:17. Toda a mensagem falada ou escrita por este autor é filtrada plenamente pelo que rege a doutrina bíblica-adventista do sétimo dia. Contato: altoclamor@altoclamor.com

16 Agosto 2010

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 08 – 3º Trimestre 2010 (14 a 20 de Agosto)



Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 08 – 3º Trimestre 2010 (14 a 20 de Agosto)

Comentário: Gilberto G. Theiss

O homem de Romanos 7


“Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra” (Rm 7:6).

É muito comum observar largamente entre evangélicos discussões sobre o que realmente Paulo quis dizer em Romanos 7. O comentário Bíblico Adventista diz: “O significado dos v. 14-25 tem sido um dos problemas mais discutidos em toda a epístola. As principais questões são quanto a ser ou não autobiográfica a descrição dessa intensa luta moral, e, nesse caso, se a passagem se refere à experiência de Paulo antes ou depois da conversão. Que Paulo estava falando da própria luta pessoa contra o pecado é evidente pelo significado mais simples de suas palavras. (cf.v 7-11; [Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 19; Testemunhos Para a Igreja, v3. P.475]).

Também é certamente verdade que ele está descrevendo um conflito comum a todos os que são confrontados pelas reinvidicações espirituais da santa lei de Deus e despertados por elas” (The SDA Bible Commentary, v.6, p. 533).

Como notado, as divergências se baseiam nos argumentos, se a experiência de Paulo e suas afirmações sobre Romanos 7 foram antes ou depois do pecado. Se foram antes ou não, o que mais importa é que discípulo em momento algum fez algum tipo de retaliação contra a lei de Deus, pelo contrário, na verdade ele defendeu a lei contra o exaustivo legalismo judaico de sua época. Paulo se viu forçado a exautar a graça, a fé e a justiça de Cristo em detrimento da lei devido aos exageros da teologia rabínica da salvação e méritos através das obras. Sua luta, portanto, tinha como objetivo anular a ideologia legalista protegendo tanto a graça quanto a santificação das distorções da teologia e crenças judaicas. É exatamente isto que veremos nesta semana.

DOMINGO, 15 DE AGOSTO
Sujeitos à lei?
(Romanos 7:1-6)

(Rm 7.1) Ou ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que ele vive?
(Rm 7.2) Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido.
(Rm 7.3) De sorte que, enquanto viver o marido, será chamado adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido.
(Rm 7.4) Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus.
(Rm 7.5) Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte.
(Rm 7.6) Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.

Seria pecado diante de Deus e dos homens um homem casado abandonar sua esposa por qualquer motivo que não sejam os motivos justificáveis? Se você disser que sim, estará afirmando que a lei não foi abolida coisa nenhuma,e, estará confirmando o que Paulo já havia escrito em Romanos 7, que o homem somente poderá estar livre da lei do casamento, somente em circunstância da morte da esposa, ou também em caso de adultério.

Paulo, para explicar como ocorre a conversão, do mundo para Cristo, usa a analogia de um casamento, pois, assim como uma mulher estaria livre para se casar novamente após a morte do marido, desta mesma forma, quando nossas paixões e o mundo morrerem em nós, assim estaremos livres para nos casar com Cristo no sentido espiritual. Para ficar mais claro, Cristo somente poderá nascer em nós (Casar-se conosco), se abandonarmos o mundo e os pecados. Jesus não poderá jamais habitar em um coração dividido. Ou o coração é inteiramente dEle ou do mundo. Não há como servir dois senhores, ou Cristo o autor da vida e da pureza, ou Satanás o autor do pecado e de suas conseqüências.

Como observado, Romanos 7 não é uma invalidação da lei de Deus, mas uma clara confirmação. Que sentido teria para Paulo usar o sétimo mandamento (Adultério) como exemplo de morte para o mundo e casamento com Cristo se a lei estivesse sido abolida? Na verdade parece que todo o problema se concentra apenas no quarto mandamento, o de separar o sábado (Sétimo dia/quarto mandamento) para o Senhor. Antigamente, batia-se muito na tecla, que os dez mandamentos haviam sido abolidos, mas hoje, tal ensinamento não é mais compartilhado entre os evangélicos, ao invés disto, mesmo sem respaldo bíblico satisfatório, começaram a concentrar toda a atenção de abolimento apenas no quarto mandamento, o sábado, mesmo que de maneira insustentável.

SEGUNDA, 16 DE AGOSTO
É a lei pecado?
(Romanos 7:8-11)

(Rm 7.8) Mas o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência; porquanto onde não há lei está morto o pecado.
(Rm 7.9) E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;
(Rm 7.10) e o mandamento que era para vida, esse achei que me era para morte.
(Rm 7.11) Porque o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou.

É interessante notar duas frases que fazem toda a diferença nestes versos. O Primeiro pode ser observado no verso 8 quando o Apóstolo diz: “onde não há lei está morto o pecado”. Como são verdadeiras tais afirmações, e, olhando para o nosso século, podemos concluir com muita convicção, de fato, a lei existe e não fora abolida. Esta conclusão é óbvia, pois quanto pecado existe em nossos dias? Quanta doença, traição, injustiças, violência, estupros, perversidade, enfim, poderia usar uma página inteira para descrever as maldades que ocorrem bem diante de nós, tudo isto, sem levar em consideração o maior efeito do pecado, a morte. Isto significa que o pecado existe e se existe o pecado é porque existe a lei de Deus, pois “o pecado é a transgressão da lei” (I Jo 3:4).

A segunda frase se encontra no verso 9: “Outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri”. Note que foi Paulo quem morreu e não a lei. Qualquer um de nós morreria se vivêssemos quebrando a lei, ou seja, NO PECADO. Como assim? Lembre-se que o salário do pecado é a morte, em outras palavras, já que o pecado é a transgressão da lei, poderíamos dizer que o salário da transgressão da lei é a morte. Por esta razão é que Paulo afirmou ter morrido quando a lei apontou seus pecados, mas, ao abandoná-los (pecado), reviveu para Cristo, claro, pela graça salvífica maravilhosa.

TERÇA, 17 DE AGOSTO
A lei santa
(Romanos 7:12-15)

(Rm 7.12) De modo que a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.
(Rm 7.13) Logo o bom tornou-se morte para mim? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte por meio do bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se manifestasse excessivamente maligno.
(Rm 7.14) Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.
(Rm 7.15) Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço.

            Para os que afirmam, que Paulo havia ensinado o fim da lei, poderão ter sérias dificuldades em explicar, como o Apóstolo seria capaz de ensinar que, uma lei “santa, justa e boa” poderia ter sido abolida? Se lermos todos os textos das cartas de Paulo que falam da lei e da graça, sem isolar nenhum contexto, perceberemos que ele jamais anulou a lei em detrimento da graça, o que o discípulo, na verdade se preocupava era com o legalismo, ou seja, a crença de que podemos ser salvos por intermédio das obras.

No verso 13, o Apóstolo reforça o valor da lei de Deus culpando o pecado pela terrível condição pecaminosa humana. Não é a lei que morre no discurso do discípulo, pois, que sentido teria se a lei morresse, uma vez que é graças a ela que podemos chegar a compreensão do que é ou não pecado? (I Jo 3:4;). Paulo, ele mesmo, disse que “não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei” (Rm 7:7).

Nos versos 14 e 15, nos é ensinado por Paulo que a lei, assim como Deus, é espiritual; mas ele ou qualquer um de nós somos escravos do pecado. Como já visto, a lei exerce o nobre papel de apresentar o que é ou não pecado, e ao mesmo tempo deixar evidente que podemos, através de Cristo, ser libertados do salário e do poder do pecado (Rm 6:23; 8:9). “O que quero”, ou seja, o que a natureza caída deseja, “Isso não pratico”, porque a graça de Cristo não permite, “mas o que aborreço”, ou seja, o que a natureza caída não deseja, as coisas espirituais, “isso faço”, porque a graça de Jesus nos transforma para agirmos segundo o homem espiritual (Rm 8:2-9,13).

QUARTA, 18 DE AGOSTO
O homem de Romanos 7
(Romanos 7:16-20)

(Rm 7.16) E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.
(Rm 7.17) Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.
(Rm 7.18) Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está.
(Rm 7.19) Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.
(Rm 7.20) Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.

 “Usando a lei como um espelho, o Espírito Santo convence a pessoa de que está desagradando a Deus ao não cumprir os requisitos da lei. Pelos esforços para atender a esses requisitos, o pecador mostra que concorda que a lei é boa” (Comentário da Lição da Escola Sabatina, 3º trimestre de 2010. p. 98).

Realmente é impossível fazer o certo sobre a escravidão do pecado. Somente libertados do poder do pecado, mediante o poder de Deus, é que poderemos viver no manto da liberdade. Quando é que fazemos o que não queremos? E quando é que não fazemos o que queremos? Partindo do pressuposto de uma natureza humana que deseja apenas o lixo da vida, principalmente em se tratando das fraquezas que individualmente possuímos, como estas perguntas poderiam ser melhor respondidas e conseqüentemente compreendidas?

Imagine que em nós exista dois tipos de leões; um leão chamaremos de natureza pecaminosa, e o outro leão chamaremos natureza espiritual. Cada um desses leões são alimentados diariamente através das nossas atitudes, palavras, pensamentos, atos, leituras, músicas, comida, etc. O detalhe é, quanto mais alimentarmos o leão carnal com músicas inadequadas, pensamentos inconvenientes, leituras ou filmes/novelas cheios de cenas depravadas; com certeza tornará este animal dentro de nós mais forte. Quando houver situações em que deveremos exercer domínio, controle, repúdio contra o pecado, pelo fato de termos a natureza pecaminosa mais alimentada do que a espiritual, com certeza teremos muito mais probabilidade de não possuir forças para suportar a prova. A queda poderá ser fatal. Do contrário, se alimentarmos mais a natureza espiritual, com músicas adequadas, leituras edificantes, muita oração, estudo da Bíblia, isolamento as coisas do mundo que podem nos fazer tropeçar, enfim, a probabilidade de vitória no momento da prova conseqüentemente será maior.

Em outras palavras, quando buscamos com intensidade a Cristo, sua justiça, seus valores e seus princípios, nossa vida será moldada gradativamente à semelhança dEle. Quanto mais contemplarmos a Jesus, seu amor, seu sacrifício por nós, mais, a sua imagem nos tornaremos. Somente por intermédio de Cristo, poderemos ser mais do que vencedores. Isto será determinante para os que precisam ser transformados e regenerados pelo poder de Deus. É claro que, mesmo transformados, mesmo sobre a proteção de Deus, a natureza pecaminosa permanecerá e muitas das vezes tentará nos assaltar, principalmente em momentos oportunos. É ai que a presença de Cristo na vida poderá fazer toda a diferença. As palavras de Paulo confirmam tal fato, pois diz ele, “Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa” (Rm 7:16).

QUINTA E SEXTA, 18 E 19 DE AGOSTO
LIVRES DA MORTE
(Romanos 7:21 A 25)

(Rm 7.21) Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo.
(Rm 7.22) Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
(Rm 7.23) mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros.
(Rm 7.24) Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?
(Rm 7.25) Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.

Alguém teria dúvidas de que a lei da carne seria a lei do pecado? A carne deseja o que não presta, deseja o pecado. Nós somos como urubus buscando carniça para comer. Embora seja uma analogia muito dura, pode expressar bem o que significa possuir uma natureza caída ou corrompida. A luta deve ser constante, tanto na mente quanto nos atos. Um simples olhar pecaminoso pode levar a mente a cometer pecados sérios e terríveis. Como afirmou Paulo, devemos morrer na carne para viver no espírito; em outras palavras, devemos deixar de servir a lei do pecado que está na carne para viver a lei do espírito que é a vontade de Deus. “A lei da mente é a lei de Deus, revelação que Deus faz de Sua vontade”.

Deus, através de Cristo, faz promessas de vitória, pois a mesma graça que salva é a mesma que nos santifica (Santificação, p.87,81), se nossas vidas, desejos e lutas forem para permanecer ao lado de Cristo e de Sua vontade, logicamente, como expresso no verso 25, com o entendimento serviremos a lei de Deus, mas, se vivermos sobre uma falsa roupagem cristã e se desejarmos a graça mas não desejarmos cumprir a vontade de Deus, com certeza, serviremos a lei do pecado que está em nós. Como bem expressou Ellen White:

“Não há segurança nem repouso nem justificação na transgressão da lei. Não pode o homem esperar colocar-se inocente diante de Deus e em paz com Ele, mediante os méritos de Cristo, se ao mesmo tempo continua em pecado” (Mensagens Escolhidas, v.1, p.213).


Gilberto G. Theiss, nascido no estado do Paraná, é membro da Igreja adventista do Sétimo dia desde 1996. Crê integralmente nas 28 doutrinas Adventista como consta no livro “Nisto Cremos” lançado pela “Casa Publicadora Brasileira”. Foi ancião por 3 anos na Igreja Adventista do Sétimo dia da cidade de Nova Rezende/MG e por 6 anos na Igreja Central de Guaxupé/MG. Foi Obreiro bíblico na mesma cidade e hoje, além de ser coordenador do curso básico de reforço teológico para líderes de igreja pelo site www.altoclamor.com, está Bacharelando no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. Gilberto G. Theiss é autor de alguns livros e é inteiramente submisso e fiel tanto a mensagem bíblico-adventista quanto a seus superiores no movimento Adventista como pede hebreus 13:17. Toda a mensagem falada ou escrita por este autor é filtrada plenamente pelo que rege a doutrina bíblica-adventista do sétimo dia. Contato: altoclamor@altoclamor.com
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