30 Julho 2010

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 06 – 3º Trimestre 2010 (31 de Julho a 05 de Agosto)


Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 06 – 3º Trimestre 2010 (31 de Julho a 05 de Agosto)

Comentário: Gilberto G. Theiss

 EXPONDO A FÉ


“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus mediante Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus,” (Rm 5:1-2).
Há muita confusão quanto ao assunto teológico da salvação, pois alguns tratam este tema de forma muito humana como se Deus estivesse nos sujeitando a fazer algo para conquistar a salvação. Por mais difícil que pareça ser, nada, absolutamente nada do que venhamos fazer nos colocará no céu. Esta verdade é tão sublime e soberana que ao invés de gerar discussões, deveria conquistar de nós a mais sublime admiração. Nossos olhos deveriam brilhar intensamente, nosso coração deveria arder de emoção, nossa consciência deveria ser ferida constantemente pelo que Cristo foi capaz de fazer por nossas vidas. Nosso salário era a morte eterna, mas Cristo impediu esta condenação pagando por nós com Sua própria vida. Isto não é significante? Não consigo entender, como ainda podem existir pessoas que insistem em querer inserir as obras humanas dentro do plano salvífico como se realmente alguma coisa pudéssemos ou devêssemos fazer para sermos aceitos.

Não podemos misturar justiça comunicada com imputada. Não podemos confundir justificação com santificação. Enquanto não soubermos distinguir estas duas coisas, sempre teremos problemas com liberalismo e perfeccionismo. Somos plenamente justificados pelo que Cristo fez por nós, e mesmo a santificação, nada poderá fazer por nós em termos de salvação. A santificação tem o seu devido lugar, e o seu lugar não é e jamais será o de justificar. A santificação é uma conseqüência natural da salvação. Em outras palavras, o crente que é salvo, conseqüentemente é transformado pelo poder que o salvou, mas ele não é transformado para ser salvo, mas porque já foi salvo.

DOMINGO, 01 DE AGOSTO
 JUSTIFICADOS POIS...

Jesus foi perfeitamente obediente a lei para que esta obediência seja creditada a nós. Sua santidade e perfeição de caráter é concedida a todos os que o aceitam. Sei que esta declaração poderá gerar desconforto para alguns, mas, veja se estou realmente sendo coerente ou se estou forçando a interpretação:

Alei requer justiça – vida justa, caráter perfeito; e isso não tem o homem para dar. Não pode satisfazer as reivindicações da santa lei divina. Mas Cristo, vindo à terra como homem, viveu vida santa, e desenvolveu caráter perfeito. Estes oferece Ele como dom gratuito a todos quantos o queiram receber. Sua vida substitui a dos homens”, (Desejado de Todas as Nações, p. 762)

Esta citação e minha afirmação não anulam em absolutamente nada o papel da santificação, mas serve para nos mostrar com clareza que muitos de nós podemos estar misturando as coisas e tentando impor nossas concepções de pureza, santidade, integridade ou busca pelo que é correto como fator de justificação própria. O papel da santificação pode ser o de qualquer um, menos o de estabelecer justificação. Nossas obras, por mais perfeitas que sejam, ainda serão como trapos de imundície perante Deus. A obediência é importante, pois demonstra a fé que aceitamos, mas, a partir do momento que tentamos fazer de nossas obras algo que tente comunicar justiça em nós, entraremos com certeza por caminhos distorcidos.

SEGUNDA, 02 DE AGOSTO
DEUS EM BUSCA DO HOMEM

“Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5:6-8).

Perdidos, essa era e é nossa condição sem Cristo. Antes que Deus, através de Cristo se manifestasse na cruz, antes que o plano da redenção fosse colocado em prática, não havia esperança alguma para a raça caída. Somos como urubus que são tentados e propensos a procurar pelas carniças do mundo. Não temos uma natureza propensa a procurar carniça para se alimentar, mas temos uma natureza muito pior do que isso, pois o desejo e as propensões para o pecado são infinitamente piores do que se alimentar se uma simples carniça. Não estou querendo jogar na lama a dignidade humana, porque na verdade nem dignidade temos.

O que estou super enfatizando é que, se não fosse Deus procurar o ser humano, estabelecer métodos de como salvá-lo, todos nós, sem faltar um, estaríamos completamente perdidos. Sem esperança, sem condições, sem absolutamente nada que pudesse ser feito por nós. As reivindicações da lei e da justiça divina são infinitamente muito superiores do que qualquer justiça que as criaturas possam oferecer. Mesmo as criaturas santas e imaculadas que vivem no céu, não poderiam suprir as reivindicações e justiças que a santa lei de Deus requeria, somente Cristo poderia supri-las.

Se nem mesmo um ser santo do céu, com exceção de Cristo, podia morrer pelo ser humano e com isto, poder suprir as exigências da justiça divina, isso deixa bem evidente que as coisas não são tão simples assim. Por esta razão, legalismo e perfeccionismo são extremos que precisam ser evitados. Que devemos pelo poder de Deus ser obedientes, disto ninguém tem dúvidas, mas pretender inserir o esforço humano ou perfeição humana como fator salvífico, não é somente heresia doutrinária, mas totalmente sem lógica. O papel da obediência com Deus é semelhante a um esposo que é fiel a sua esposa no casamento. Obediência com Deus deve ser uma conseqüência do que Ele foi capaz de fazer por nós, e nós, de igual forma, o servimos, em demonstração de amor para com Ele. Não podemos dizer que guardamos os Seus mandamentos porque do contrário, não iremos para o céu. Devemos dizer que guardamos os Seus mandamentos porque Ele foi capaz de fazer o inimaginável por nós. Nosso intenso desejo de servi-lo deve ser por amor.

TERÇA, 03 DE AGOSTO
 A MORTE TRAGADA

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram” (Rm 5:12).

A morte é sem dúvida alguma, a mais funesta de todas as conseqüências do pecado. Nossa própria natureza não aceita a morte. Mesmo os mais desiludidos com a vida, gostariam ao invés de morrer, ser felizes e realizados.
Um dia uma irmã muito jovem ficou muito doente e morreu. A família pediu que eu fizesse o velório uma vez que o pastor estava de viagem. Com autorização do pastor fiz o velório. Uma coisa me chocou muito nos relatos do esposo. Ele me disse que ela havia morrido em seus braços fazendo um ultimo pedido, que não a deixasse morrer.

Por mais trágica e poderosa que seja a morte, Deus nos deu a esperança de, mesmo em face deste mais trágico pesar, ainda podermos continuar vivendo. O mais curioso nesta realidade e deve fazer brilhar nossos olhos e fremir nosso coração, é que isto será possível graças ao que Jesus Cristo fez por nós na cruz do calvário. Seu sangue foi o preço pago para permitir que entremos um dia para a história da eternidade. Penso que teríamos menos problemas tanto pessoais quanto coletivos se olhássemos mais para Cristo do que para nós mesmos. Esta verdade absolutamente real deve permear toda nossa existência, consciência, pensamentos, enfim, todo o nosso ser.

Um dia viveremos sobre os laços da eternidade, sem pensar em morte, sem pensar em sepultura, sem visitar velórios ou nos despedirmos de pessoas que amamos. Acredite nisto com toda a força, pois através de Cristo esta verdade se tornará pura realidade.

QUARTA, 04 DE AGOSTO
 A LEI DESPERTA A NECESSIDADE

“Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir” (Rm 5:13 e 14).

É bem verdade que a lei foi anunciada oficialmente em escritas a partir do Sinai. Mas isto não significa que ela não existia antes. Matar, roubar, adulterar que são três dos dez mandamentos sempre foram pecado.

Pecado é a transgressão da lei (1 Jo 3:4), tanto antes do Sinai quanto depois. Assim como nos dias atuais, a salvação sempre foi pela graça e a lei tanto antes do Sinai quanto depois, sempre teve o papel de apenas apresentar nossa real condição e real necessidade de cura e restauração. A lei, ao nos mostrar o quanto estamos perdidos, nos apresenta que precisamos de uma solução que está além de nós. Essa solução é Cristo. Portanto, a lei desempenha também o nobre papel de nos conduzir até o redentor.

O problema sempre foi o pecado e não a lei. Satanás iniciou sua jornada contra Deus atacando sua lei no céu. No Éden permaneceu firme neste propósito e desdenhou por completo a lei de Deus. Em nossos dias, ele permanece no mesmo intento, pois sua afronta ao Deus eterno é revelado pelo seu real confronto à lei do Senhor.

Infelizmente, muitos se colocam nas mãos de satanás fazendo a sua funesta obra, a de se colocar contra os mandamentos de Deus. Existe toda uma antipatia pelas regras, leis, princípios e valores da vida ensinadas pela palavra de Deus. Ninguém quer saber das regras e por não se interessarem buscam de todo argumento plausível. Alguns dizem que a lei não existia antes do Sinai, ou dizem que a lei terminou na cruz, ou dizem que nem tudo na Bíblia é válido para os dias atuais. Enfim, o objetivo é sempre chegar nos dez mandamentos invalidando-os de alguma maneira.

Gradativamente vão anulando as leis que regem a vida mesmo em detrimento da graça, até o momento em que começam a corroer o real valor e necessidade da guarda de alguns ou de todos os mandamentos de Deus.
Particularmente, eu vejo nessa estratégia, uma bela arquitetura satânica de nos fazer olhar para a lei de Deus com menos apreço. É fato e verdade que a graça é tudo e suficiente para nós, mas jogar os mandamentos para um nível em que não é digno pode ser tão perigoso quanto. Não é de se admirar que um dia, os que guardam os mandamentos de Deus serão perseguidos até mesmo de morte por não renunciar a obediência a Deus? Pense nisso.

QUINTA, 05 DE AGOSTO
 O SEGUNDO ADÃO

“Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos” (Rm 5:18,19).

Adão foi criado em todos os aspectos da pureza. Não havia pecado, mas, quando Adão pecou, ele cometeu o pecado por ele e por todos os que viriam de suas entranhas. Nós chamamos isto de pecado corporativo. O pecado de Adão foi por ele e por todos que fazem parte de suas entranhas. Conseqüentemente, todas as conseqüências que viriam a Adão, também sobrecairia a toda a raça pós Adão. A palavra de Deus diz que a morte passou a todos os homens por causa da desobediência e que não haveria nem um justo sequer, e ainda afirma que todos pecaram. É difícil crer que pecado poderia ser apenas um ato em si, uma vez que, a Bíblia apresenta culpabilidade em todos que vieram de Adão.

Neste ínterim, Cristo é apresentado como sendo o segundo Adão, pois Jesus assumiu todas as culpas de Adão e conseqüentemente a culpa de toda a raça caída. Pois assim “como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida”. Assim como Adão cometeu o pecado corporativo, desta mesma forma Jesus precisava vir das entranhas de Adão (Raça humana), para que seu ato pudesse alcançar toda a raça caída. Isto chamamos de sacrifício corporativo.

Quando olhamos para o primeiro Adão, vemos apenas juízo e morte, mas quando olhamos para o segundo Adão, podemos buscar solução e cura para os pecados e morte.


Gilberto G. Theiss, nascido no estado do Paraná, é membro da Igreja adventista do Sétimo dia desde 1996. Crê integralmente nas 28 doutrinas Adventista como consta no livro “Nisto Cremos” lançado pela “Casa Publicadora Brasileira”. Foi ancião por 3 anos na Igreja Adventista do Sétimo dia da cidade de Nova Rezende/MG e por 6 anos na Igreja Central de Guaxupé/MG. Foi Obreiro bíblico na mesma cidade e hoje, além de ser coordenador do curso básico de reforço teológico para líderes de igreja pelo site www.altoclamor.com, está Bacharelando no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. Gilberto G. Theiss é autor de alguns livros e é inteiramente submisso e fiel tanto a mensagem bíblico-adventista quanto a seus superiores no movimento Adventista como pede hebreus 13:17. Toda a mensagem falada ou escrita por este autor é filtrada plenamente pelo que rege a doutrina bíblica-adventista do sétimo dia. Contato: altoclamor@altoclamor.com

26 Julho 2010

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 05 – 3º Trimestre 2010 (24 a 30 de Julho)



Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 05 – 3º Trimestre 2010 (24 a 30 de Julho)

Comentário: Gilberto G. Theiss


JUSTIFICAÇÃO E A LEI


“Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rm 3:31).
Em Cristo estão todas as nossas esperanças de redenção e de restauração. É ilógico pensar que meras leis poderiam desempenhar o nobre papel de redenção ou restauração. Mesmo sendo a lei de Deus, tenhamos em mente que ela não tem vida em si mesma e muito menos sangue. A lei divina requeria a morte do devedor ou, no mínimo, um substituto totalmente inocente, puro, imaculado e íntegro que se apresentasse no lugar do culpado com o objetivo de fazer valer em sua vida todas as penalidades da lei determinadas sobre o transgressor.
Jesus, um dos membros da divindade, se apresentou e ofereceu Sua vida e Seu sangue como substituto do sangue culpado do humano. Cristo somente poderia ser o tal substituto, pois fora Ele o acusado de impor às Suas criaturas o angustiante fardo das obrigações da lei. Jesus viria para mostrar que o homem poderia ter vencido as tentações contrárias à lei e ao mesmo tempo para mostrar que Suas leis não eram e não são um angustiante fardo (Desejado de Todas as Nações, p.24). Aliás, desde quando uma lei que visa proteger poderia ser considerada um angustiante fardo? Uma lei criada por um pai e mãe aos filhos, com o objetivo de protegê-los dos perigos da vida como as drogas, promiscuidade, angústia, sofrimento, doenças ou falência, como leis que protegeriam os filhos de tais infortúnios poderiam ser encaradas como angustiante fardo?
A lei de Deus sempre existiu para proteger, criar delimitações para as pessoas sempre viverem bem e felizes. Uma prova disso é que, quando a lei de Deus no Éden foi transgredida, a miséria tomou conta de toda geração. Hoje, a lei continua exercendo o mesmo papel, de proteção. Ela não justifica, não salva, mas, a fé, a justificação ou a graça também, em nenhuma virgula anula o precioso e importante papel da lei. A lei de Deus existiu no passado, existe em nossos dias e continuará existindo por toda a eternidade (Sl 111:7 e 8).
Escreveu Paulo, que, “a fé não anula a lei”, pelo contrário, a fé na verdade “confirma a lei”, isto ocorre porque a verdadeira fé nos leva em direção a obediência aos seus reclamos.
DOMINGO, 25 DE JULHO

A LEI CONFIRMADA

“Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rm 3:31).
“Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida; porém ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é contada como justiça; assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputará o pecado” (Rm 4:1-8).

A fé não anula a lei, assim como, que, a lei também não anula a fé. Houve dois concertos, entretanto, com apenas uma lei e uma graça. As formas podem ter sido diferentes, pois no velho concerto, a garantia para eles do perdão e remissão vinha do sangue de animais, que claro, representava Cristo. Porém, no novo concerto, que na verdade é tão antigo quanto o velho (Gn 3:15; I Pe 1:18-20), o sangue não era mais de animais, mas do próprio Jesus, do qual todos os ritos eram sombrsa e promessas de Sua vinda.

Esta questão é indiscutível, pois, a graça era abundante e totalmente suficiente para salvar tanto no antigo quanto no Novo Testamento. A lei de Deus nunca, em momento algum, desde a entrada do pecado neste mundo, jamais foi instrumento para salvação. A única fonte de justificação sempre foi o cordeiro, seja o tipo ou o antítipo (Lv 3:1-7; S. Jo 1:29). Deus não tem e nunca terá dois sistemas de salvação diferentes. O mesmo plano estabelecido no Antigo Testamento perdura para os povos atuais com tanto vigor quanto no passado. Este sistema de salvação pela graça e de julgamento pela lei alcançou os Judeus e demais povos e continua a alcançar todos que se achegam a Cristo em nossos dias.

SEGUNDA, 26 DE JULHO

GRAÇA OU DÍVIDA

“Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputará o pecado” (Rm 4:6-8).

Embora exista em nossos dias problemas como o perfeccionismo ou legalismo, é importante entender que não há nenhum problema com a obediência ou submissão a vontade de Deus. Todos nós devemos nos esforçar para obedecer e permitir que o Espírito Santo opere as devidas mudanças em nosso caráter. O que as vezes acontece com muitos e até mesmo conosco, é que, temos a tendência em querer fazer algo que pague a nossa dívida com Deus. Os nossos débitos registrados no Serasa do céu são infinitamente altos e jamais teremos em nós mesmos a quantia que estes débitos ou dívidas exigem. Esta é a grande e profunda verdade que a cruz do calvário quer nos ensinar, mas infelizmente, por causa deste senso de querer pagar um aluguel que já foi pago, as vezes, tende a nos levar ao legalismo de querer guardar a lei para alcançar algum mérito ou favor salvífico diante de Deus. Isto não significa que não devemos observar a lei, ou fazer a vontade de Deus, pois o fato de o aluguel impagável já ter sido pago por alguém não quer dizer que poderemos viver de forma irresponsável e sair dando calotes em todo mundo por ai. Se isto ocorrer, o aluguel impagável não mais será pago e mais cedo ou mais tarde seremos despejados da casa que não é nossa. Em outras palavras, a graça de Jesus jamais alcançará a vida daqueles que não desejam abandonar os pecados morais.

TERÇA, 27 DE JULHO

PROMESSA E LEI

“Porque não foi pela lei que veio a Abraão, ou à sua descendência, a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé” (Rm 4:13).

Um pai olha para o seu filho e lhe faz a promessa, caso tire boas notas na escola, ganhará uma linda bicicleta. Como neste exemplo, muitos fazem inúmeras promessas aos filhos e caso cumpram os requisitos apresentados, serão beneficiados pelo cumprimento. Filhos que se comportam bem, tiram notas boas na escola, os que fazem algum favor, arrumam o seu próprio quarto, estes entre outros deveres muitas das vezes são realizados à custa de promessas. Interessante que estes deveres deveriam ser cumpridos não porque no fim das contas serão beneficiados, mas por ser um dever natural de todos os filhos. Infelizmente, nós somos tendenciosos a querer fazer algo na vida sempre em troca de alguma coisa, e conseqüentemente isto acaba se impregnando de tal forma que, mesmo em circunstâncias religiosas, achamos que Deus requer algo de nós para nos ofertar sua salvação ou promessas. Deus não age como o ser humano com atos de egoísmo e muito menos como um mercenário que tenta comprar os favores dos outros. Sua graça, salvação e promessas são feitas não pelo melhor que podemos fazer para Ele; estas promessas são nos outorgadas a partir do momento em que desenvolvemos fé Nele e por conseqüência desta fé, entregamos a vida a Ele. Nossas obras não podem comprar os favores de Deus. Assim foi com Abraão e assim será com todos nós em pleno século XXI.

QUARTA, 28 DE JULHO

LEI E FÉ

“É a lei, então, contra as promessas de Deus? De modo nenhum; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar a justiça, na verdade, teria sido pela lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos que crêem. Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar” (Gl 3:21-23).

Como já mencionado anteriormente, a lei de Deus não é menos importante por não ser instrumento de salvação. Entretanto, é de suma importância compreender e permanecer claro em nossa mente de que a fé e a graça tem seu devido lugar no plano da redenção e a lei também tem seu devido lugar. Se a lei não fosse importante, se fosse objetável, Deus, Aquele que é sábio demais para errar, não criaria leis no universo, na química, na física, natureza e muito menos para orientar o ser humano nos aspectos morais. Se a lei existe é porque tem ela um papel fundamental em todo o contexto da existência e principalmente após a queda do homem. A lei não é menos importante do que a vida de Cristo, pois se assim fosse Deus daria preferência em extingui-la do que permitir que Seu filho morresse simplesmente para garantir a punição dela (da lei) conseqüentemente resgatando a humanidade da punição. Mesmo a lei sendo tão importante, mesmo sendo ela parte da existência humana, mesmo sendo tão significativa, ela nada pode fazer para nos dar vida. O código moral não tem vida em si mesmo para poder conceder vida as criaturas. Por isto que a lei também é entendida como sendo um guia, pois quando nos mostra que somos pecadores e perdidos por causa dos pecados cometidos, ao mesmo tempo nos mostra que precisamos de cura e restauração, e esta cura e restauração não pode ser encontrada em nós mas somente em Cristo.

Por esta razão é que escreveu Ellen White: “O princípio de que o homem se pode salvar por sua próprias obras, está na base de toda religião pagã...onde quer que seja mantido, os homens não tem barreiras contra o pecado” (Desejados de Todas as Nações, p. 35-36).

QUINTA E SEXTA, 29 A 30 DE JULHO

LEI E PECADO

“E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele; aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou” (I Jo 2:3-6).

“Qualquer que comete pecado, também transgride a lei, pois o pecado é a transgressão da lei” (I Jo 3:4).

“Porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3:20).

Com muita sinceridade, muitos afirmam que a lei foi anulada e que não precisamos mais dos dez mandamentos descritos em Êxodo 20. Vamos supor que isto seja verdade, seria possível hoje sabermos de maneira precisa o que realmente é e o que não é pecado sem que Deus continue a nos orientar a este respeito? Com os gostos, vontades, propensões para o mal que temos, conseguiríamos fazer um bom juízo do que podemos ou não fazer na vida sem que Deus nos apresente claramente o que é bom e o que não é?

Cerca de cem ano atrás, o escritor irlandês Jonathan Swift escreveu: “Mas será que alguém diria que se as palavras beber, enganar, mentir, roubar fossem extirpadas da língua e dos dicionários ingleses por um ato do Parlamento, na manhã seguinte iriamos acordar temperantes, honrados, justos e amantes da verdade? Essa é uma conseqüência justa?” (Jonathan Swift, A Modest Proposal ADN Other Satires [Uma Proposta Modesta e Outras Sátiras], Nova Iorque: Prometheus Books, 1995, p. 205).

Não é nem um pouco verdade que a lei de Deus foi cancelada, pois a maior prova de que não foi, é o fato de Jesus ter cumprido as exigências da mesma para que o homem pudesse ser redimido sem que a lei fosse mudada.

Não é nem um pouco sábio tais afirmações, pelo contrário, como afirmam os Batista Charles Colson e Nancy Pearcey: “Se queremos viver vidas saudáveis e equilibradas, é melhor conhecermos as leis e ordenanças através das quais Deus estruturou a criação”, principalmente “pela razão de elas serem as leis de nossa própria natureza interior” (Colson, Charles e Pearcey, Nancy. E agora como viveremos?, p.35)

Mais surpreendente foi o que escreveu Richard, “Tolice é um obstinado nadar contra a correnteza do Universo...cuspir contra o vento...colorir fora das linhas da tela” (Richard M. Weaver, Ideas Have Consequences (Chicago: Imprensa da Universidade de Chicago, 1984).

Com este mesmo pensamento, poderíamos viver contrariamente as leis estabelecidas por Deus? Deus é sábio demais para cometer erros enquanto que nós somos tolos e falhos demais para não cometê-los.

A lei de Deus permanece em nossos dias com a mesma força e autoridade como atuou no passado. A este respeito escreveu Ellen White: A lei de Deus não pode ser transgredida hoje com menos impunidade do que quando fora pronunciada a sentença sobre o pai da humanidade” (Patriarcas e Profetas, p. 62)


Gilberto G. Theiss, nascido no estado do Paraná, é membro da Igreja adventista do Sétimo dia desde 1996. Crê integralmente nas 28 doutrinas Adventista como consta no livro “Nisto Cremos” lançado pela “Casa Publicadora Brasileira”. Foi ancião por 3 anos na Igreja Adventista do Sétimo dia da cidade de Nova Rezende/MG e por 6 anos na Igreja Central de Guaxupé/MG. Foi Obreiro bíblico na mesma cidade e hoje, além de ser coordenador do curso básico de reforço teológico para líderes de igreja pelo site www.altoclamor.com, está Bacharelando no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. Gilberto G. Theiss é autor de alguns livros e é inteiramente submisso e fiel tanto a mensagem bíblico-adventista quanto a seus superiores no movimento Adventista como pede hebreus 13:17. Toda a mensagem falada ou escrita por este autor é filtrada plenamente pelo que rege a doutrina bíblica-adventista do sétimo dia. Contato: altoclamor@altoclamor.com
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16 Julho 2010

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 04 – 3º Trimestre 2010 (17 a 23 de Julho)

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 04 – 3º Trimestre 2010 (17 a 23 de Julho)

Comentário: Gilberto G. Theiss

SÁBADO, 17 DE JULHO
JUSTIFICADOS PELA FÉ

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independente das obras da lei” (Rm 3:28).

Estamos diante de um tribunal, com jurados, juiz, promotor, advogado e uma assembléia de expectantes a observar o julgamento. O réu, uma pessoa extremamente conhecida por suas transgressões, se vê diante de provas contundentes de sua culpa. Depois de intenso julgamento, com poucas provas a favor e inumeráveis provas contra, o juiz bate o martelo e divulga ao público a sentença, morte por cadeira elétrica. Todos se assombram, mas não ficam surpreendidos, pois todas as evidências incriminavam o réu e davam suporte à sentença, embora penosa, ainda era demasiado pouca para tais transgressões cometidas. Derepente, alguém em meio ao publico se levanta e diz com alta e clara voz: Senhor Juiz, eu gostaria de livrar este homem de sua culpa e de sua sentença, eu me ofereço para assumi-las, gostaria de substituí-lo. Bom, esta história, como percebido, é fantasiosa, mas, a história da raça humana diante do conflito entre o bem e o mal, não é.

Diante do tribunal do céu, todos nós, culpados pela transgressão, estávamos sentenciados a morte eterna. Diante do tribunal do céu, Deus (na pessoa de Jesus), se ofereceu para assumir e nos substituir em nossa pena eterna. Esta história é tão real que a cruz foi levantada entre o céu e a terra com o objetivo de salvar e restaurar todos os que aceitassem e se entregassem a Cristo permitindo que Sua justiça absorvesse toda nossa injustiça perante o céu. Em outras palavras, o precioso sangue de Cristo, torna nossa ficha criminal limpa diante do tribunal celestial. Isto é substituição, isto é na mais pura essência expiação e justificação pela fé.

DOMINGO, 18 DE JULHO
AS OBRAS DA LEI

“Ora, sabemos que tudo que a lei diz é para os que estão debaixo da lei que ela diz, para que toda boca se cale e todo mundo fique sujeito ao julgamento de Deus. Porque ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei; pois pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3:19,20).

Alguns, com muita sinceridade, ensinam que a lei de Deus em nossos dias é totalmente dispensável. Quando o assunto gira em torno de questões salvíficas, este pensamento pode estar permeado de verdades. A lei em si, serve apenas para mostrar nossa mais miserável condição diante de Deus. Ela (a lei), não tem PODER nem para salvar e muito menos para justificar. A lei de Deus foi estabelecida para apresentar ao homem caído, o caráter que é aceitável pelo criador. Estes preceitos estabelecem delimitações do nosso proceder com o objetivo de apresentar os limites entre a integridade e a transgressão. Os dez mandamentos, assim como todos os demais princípios bíblicos, são e serão as normas pelas quais todos serão julgados, enquanto que a salvação e justificação é outorgada pela graça apresentada na cruz.

A graça é fonte ilimitada para salvação, enquanto que a lei, apenas serve de guia, apresentando aos transgressores (pecadores) sua real necessidade de cura e restauração. Com este pensamento, a conclusão que chegamos é que a lei, embora não seja capaz de justificar ninguém, sem ela, jamais seríamos levados até aquele que é o único capaz de justificar, Jesus Cristo, a graça perfeita. Tenhamos em mente que, graça sem lei não é graça, assim como lei sem a graça não é lei, pois sem a lei, não saberíamos o que é pecado (I Jo 3:4; Rm 7:7), e sem reconhecer o pecado em nossa vida, não reconheceríamos que somos pecadores, e se não reconhecermos que somos pecadores, jamais sentiríamos necessidades de um salvador, e sem sentir essa necessidade como chegaríamos até Cristo? Como seríamos alcançados pelo Espírito Santo e transformados por Seu poder se não há sentimento de pecaminosidade em nós?

Super enfatizar a lei em detrimento da graça é pura distorção teológica, mas super enfatizar a graça ao ponto de anular a lei de Deus pode ser tão perigoso e diabólico quanto. A graça não anula as obras e muito menos as obras anulam a graça, pois, um depende do outro para que a obra do Espírito de Deus seja completa no ser humano.

SEGUNDA, 19 DE JULHO
FÉ E JUSTIÇA

“Mas agora a justiça de Deus se manifestou, sem a lei, atestada pela lei e pelos profetas; isto é, a justiça de Deus por meio da fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção” (Rm 3:21 e 22).

Embora muitos não consigam admitir, não há absolutamente nada em nós que possa servir de barganha com Deus para nossa salvação. Alguns conseguem distorcer a Bíblia para dar a impressão de que nossa obediência e nossas boas obras farão com que Deus seja obrigado em nos redimir. Meus queridos leitores, como vocês devem ter percebido, sempre procuro exaltar a lei de Deus e valorizar ao máximo a necessidade de obediência, mas, essa idéia aparentemente teológica de que nossas mais perfeitas obras serão o critério de avaliação para Deus saber quem Ele levará para o céu e quem não levará não passa de teologia distorcida. Aliás, essa ideologia nós a encontramos na teologia católica, onde, as obras humanas são tão fundamentais para a salvação que até penitências variadas podem ser úteis para dar uma forcinha e para nos levar diante de Deus com algum mérito. As Escrituras não ensinam essa heresia. Neste contexto, poderíamos até perguntar: Se não somos salvos pelas obras, porque seremos julgados por ela? A resposta é simples, seremos julgados pelas obras não para saber quem será salvo, mas para saber quais as pessoas que realmente e definitivamente foram alcançadas pelo poder Deus mediante a graça, para saber quem realmente subjugou seu próprio EU permitindo que Cristo reinasse em suas vidas. Uma coisa é ser justificado unicamente nos méritos de Jesus e outra é viver inteiramente por Ele. Quando nos casamos com alguém, nos casamos por amor e não pelas regras e leis do casamento, mas um casamento sem obediência a essas leis significaria pura falsidade na demonstração do amor, pois, como ensina as Escrituras, pelos frutos todos nós seremos conhecidos. Jesus sangrou Sua vida para oferecer Sua justiça a todos nós, a pergunta que surge é, após recebermos a justiça de Cristo gratuitamente, estaremos dispostos, se for preciso, de também sangrarmos a nossa vida por Ele?

Voltando ao devido assunto, a Justiça de Deus requer de nós o que não podemos oferecer, por esta razão que Jesus ofertou Sua vida na cruz, sua obediência e santidade a nosso favor, pois:

“Justiça e obediência à lei. A lei requer justiça, e esta o pecador deve à lei; mas ele é incapaz de apresentá-la. A única maneira em que pode alcançar a justiça é pela fé...A justiça de Cristo é aceita em lugar do fracasso do homem, e Deus recebe, perdoa, justifica o arrependido e crente, trata-o como se fosse justo e o ama tal como ama Seu filho” (Mensagens Escolhidas, v.1, p.367).

“Alei requer justiça – vida justa, caráter perfeito; e isso não tem o homem para dar. Não pode satisfazer as reivindicações da santa lei divina. Mas Cristo, vindo à terra como homem, viveu vida santa, e desenvolveu caráter perfeito. Estes oferece Ele como dom gratuito a todos quantos o queiram receber. Sua vida substitui a dos homens”, (Desejado de Todas as Nações, p. 762), e que “Nossas próprias obras jamais poderão comprar a salvação” (Desejado de Todas as Nações, p. 280).

Estas fortíssimas declarações deixam bem evidente a razão primordial e da potencialidade do sacrifício de Cristo no calvário. Se as obras pudessem fazer algo por nós, se nossa obediência realizasse algum poder salvífico, não seria mais fácil para Deus, ao invés de Si submeter à encarnação, humilhação, sofrimento e morte na cruz, não seria muito mais fácil e adequado, após o pecado no Éden, aplicar as regras da obediência para os que pretendessem ir para o céu? Se pudéssemos fazer algo por nós mesmos, não seria dispensável a obra de Cristo por nós? Estas indagações nos levam a uma única direção, sem a justiça (Vestes de Cristo) jamais poderemos participar das bodas no céu, independente do que façamos.

Gostaria que ficasse claro que não estou minimizando a lei de Deus e muito menos a obediência, estou apenas tentando situar cada um deles em seu devido lugar. Como tenho afirmado nestes comentários e acredito que vale a pena reforçar mais uma vez, não é a nossa obediência que nos outorgará a salvação, pois isto vem de Cristo, mas sem ela, com base na luz que recebemos, jamais pisaremos no céu. A plena obediência é uma demonstração clara de que a graça de Cristo e Sua justiça não foi ou não tem sido vã em nossa vida. O poder da graça é tão completo, que além de salvar, também realiza perfeitamente a obra gradativa de transformação do caráter.

TERÇA, 20 DE JULHO
GRAÇA E JUSTIFICAÇÃO

“Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24).

A justificação inicia na vida do ser humano a partir do momento em que, com sinceridade, aceita o que Deus em Cristo fez por ele. Ao contemplar o amor de Deus, admirar e ser contagiado por Cristo em Seu infinito sacrifício, se entregar completamente nas mãos de Deus com sincero arrependimento, neste exato momento, antes mesmo de realizar qualquer obra externa, passa a ser totalmente justificado nos méritos de Jesus. Se ele, naquele exato momento adormecer no Senhor, não teremos dúvidas de sua salvação.

Este exemplo nos arremete diretamente para a experiência do ex ladrão na cruz. A única obra realizada por aquele homem foi a obra da fé. Seu arrependimento, sinceridade e entrega fez com que a graça divina e a justificação, obediência e santidade de Jesus o envolvesse completamente. Isto é o que a graça ou a justificação podem fazer na vida humana sem as obras da lei. É claro que se o ex ladrão tivesse tempo e oportunidade para demonstrar as boas obras e obediência, é óbvio que ele demonstraria, pois se a graça teve o poder de salvá-lo, a mesma graça com certeza teria poder de transformá-lo já que sua entrega e sinceridade fora genuína.

Outro exemplo é o do publicano e do fariseu (Lc 18:9-14). Entre o fariseu que batia as mãos no peito e se orgulhava de suas obras e o publicano que reconhecia sua condição de pecador diante de Deus clamando por misericórdia, pergunto, qual dos dois na história desceu justificado diante de Deus? Esta linda história, não anula a importância das obras, mas busca neutralizar completamente o legalismo pretendido por muitos. Legalismo significa pretender ser justificado pelas obras da lei.

QUARTA, 21 DE JULHO
“SUA JUSTIÇA”

“A quem Deus ofereceu como sacrifício propiciatório, por meio da fé, pelo seu sangue, para demonstração da sua justiça. Na sua paciência, Deus deixou de punir os pecados anteriormente cometidos” (Rm 3:25).

A palavra “hilasterion” ou propiciatório, pode representar no mais alto nível da palavra tudo o que Deus fez para a redenção do ser humano. Jesus foi o Cumprimento fidedigno dos ritos do santuário que o representavam. Ele foi a autentica realidade de toda propiciação das leis cerimoniais, em especial aos ritos diretamente ligados ao cordeiro imolado todos os dias.

Não há dúvidas quanto a natureza de tudo o que Deus foi capaz de fazer para redimir a raça caída. Todos, independentes de raça, tribo, língua ou cor, todos são chamados e atraídos direta ou indiretamente pelos feitos de Jesus e pela ação do Espírito Santo na vida.

Neste contexto, podemos ter uma absoluta certeza, Sua justiça tem sido oferecida aos que o aceitam e se entregam completamente. Não há limites para a ação de Sua justiça na vida dos que são injustos, porém se submetem a Sua vontade.

O mais surpreendente aqui é a forma como Deus agiu diante da injustiça humana, pois, rebatendo as acusações do inimigo, de que Deus havia exigido das suas criaturas mais do Ele mesmo estava disposta a dar, calou a boca do diabo ao dar os passos que o próprio ser humano não podia dar. Cristo não ignorou a limitação humana, especialmente após o pecado, e ofereceu a sua própria vida pagando a pena eterna que estava sobre a responsabilidade humana de pagar. O inocente absorve as conseqüências dos culpados para que os culpados venham a ser inocentados no tribunal do céu.

Todos os que estiverem no céu desfrutando da eternidade, não passarão nenhum momento de sua vida infinita sem lembrar da única razão de estarem ali sob o manto da eterna felicidade e pleno vigor. A justiça de Cristo é tudo para nós e sem ela jamais poderemos ser aceitos pela justiça divina.

QUINTA E SEXTA, 22 E 23 DE JULHO
“FÉ E OBRAS”

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” (Rm 3:28).

Para Paulo, quando falava da justificação em detrimento da lei, não estava invalidando a lei em si, mas anulando totalmente o legalismo. Paulo não era contra a lei, ele era contra a maneira como alguns judaizantes encaravam o papel da lei como instrumento de salvação. Por esta razão é que o discípulo promulgou a contundente declaração de que “o homem é justificado pela fé sem as obras da lei”.

O crédito total da justificação não pertence ao ser humano, mas unicamente a Deus mediante Cristo. O homem não possui nenhum mérito por realizar alguma boa obra, pois é “Deus quem opera tanto o querer quanto o perfazer segundo a Sua boa vontade” (Fl 2:13) tanto na vida quanto no coração humano.

Por esta razão contundente que Ellen White foi enfática na resposta a respeito de justificação pela fé, que: “É obra de Deus ao lançar a glória do homem no pó e fazer pelo homem aquilo que ele mesmo não pode fazer” (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 456).

Isto não significa que as obras não sejam importantes, pois, as obras desempenham um papel extremamente fundamental como resultado da justificação ou operação da graça. Através das boas obras é que torna evidente o poder de Deus mediante a graça e a justificação operada na vida dos que se entregam nas mãos de Deus para viver para Ele e por Ele.

A graça é o único meio de salvação e justificação do indivíduo, mas a graça não apenas salva para e justifica, embora a propensão para o mal permaneça até o dia da glorificação, a graça, mediante o poder de Deus pode nos salvar do poder ou força do pecado em nós.

O detalhe é que, a obediência, as obras e a transformação do caráter, são integralmente frutos da graça salvífica. Ela realiza em nós tanto o querer quanto perfazer (Fl 2:13), é a graça de Cristo que é capaz de nos salvar e ao mesmo tempo nos transformar à semelhança do caráter de Cristo, pois a verdadeira graça que salva, também nos “conduzirá aos fiéis deveres da vida” (Santificação, p. 87), e nos habilitará a “prestar obediência” a Deus (Santificação, p. 81); A nossa parte em tudo isto se prende no ato da decisão e no ato da renúncia e disposição. Em outras palavras, temos que aceitar e praticar a renúncia constante do próprio eu e permitir a ação do Espírito Santo sobre todo o nosso ser, corpo, alma e espírito (I Ts 5:23).

Podemos concluir que, as obras ou a lei jamais poderão nos creditar algum mérito, pois quando falamos em expiação, a lei não poderá fazer absolutamente nada por nós, e na verdade, ela nem foi estabelecida para isso. Por outro lado, não podemos nos incorrer no risco de rebaixar o papel da lei e das obras, pois elas são o resultado contínuo do poder da graça operada em nós.

Gilberto G. Theiss, nascido no estado do Paraná, é membro da Igreja adventista do Sétimo dia desde 1996. Crê integralmente nas 28 doutrinas Adventista como consta no livro “Nisto Cremos” lançado pela “Casa Publicadora Brasileira”. Foi ancião por 3 anos na Igreja Adventista do Sétimo dia da cidade Nova Rezende/MG e por 6 anos na Igreja Central de Guaxupé/MG. Foi Obreiro bíblico na mesma cidade e hoje, além de ser coordenador do curso básico de reforço teológico para líderes de igreja pelo site www.altoclamor.com, está Bacharelando no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. Gilberto G. Theiss é autor de alguns livros e é inteiramente submisso e fiel tanto a mensagem bíblico-adventista quanto a seus superiores no movimento Adventista como pede hebreus 13:17. Toda a mensagem falada ou escrita por este autor é filtrada plenamente pelo que rege a doutrina bíblica-adventista do sétimo dia. Contato: altoclamor@altoclamor.com

08 Julho 2010

Também quero andar para trás!

Ainda nem tivemos tempo suficiente para refletir plenamente em todas as ideias do sermão inaugural do Pr. Ted Wilson, eis que já soam por todos os lados as sirenes de alarme dos liberais e progressistas que, entre nós, defendem uma igreja moderna e, mais do que distinta, contextualizada aos tempos atuais: "estamos a regredir, a voltar atrás no tempo!", alegam eles.

Em meio à manifestada tristeza por ver a "igreja andar para trás", já se recorre à velha tática dos que não conseguem arrazoar nem argumentar com seriedade e propósito comprováveis e irrebatíveis: não se podendo derrubar a mensagem, derruba-se o mensageiro! E assim, até já a igreja da qual o Pr. Wilson é membro, é catalogada em termos negativos, como que definindo assim a postura do novo presidente.

Eu gostava de conseguir definir em absoluto a diferença entre um adventista conservador e um liberal ou progressista. Mas não conseguindo, entendo-o da seguinte maneira: um conservador é aquele que defende um estilo de vida consonante com o ensinamento bíblico exato, que o distingue e separa do que é o mundo, mesmo o das religiões cristãs, mantendo uma coerência com aquilo que nos fez surgir, e que ainda hoje é o motivo da nossa existência; um liberal, é aquele que interpreta a Bíblia e exerce a sua prática religiosa mais em função do que no seu mundo, no seu tempo, lhe parece mais 'integrante' e menos 'fraturante', em busca de consensos que, se não forem religiosos, pelos menos sejam sociais ou amistosos...

Mas o que mais óbvio me parece, é que ao seguir este mundo a sua prevista e trágica trajetória, estes dois grupos se tornem cada vez mais distantes e irreconciliáveis. Veja bem: já reparou que, muitas vezes, é mais fácil um adventista liberal encontrar mais convergência e entendimento com um não adventista do que com um adventista conservador...?

Tenho observado que os ditos liberais e progressistas têm mais dificuldade em encontrar, quer na Bíblia ou no Espírito de Profecia, fundamento para as suas posições. E em muitas das vezes que o fazem, fica uma sensação de aproveitamento forçado e de uma paradoxal descontextualização dos textos para defender a argumentação.

Mais ainda quando se nota que começam a copiar e transcrever referências desta ou daquela fonte que defende os mesmos conceitos, bastando para isso uma rápida tradução de outro idioma. Não conseguem mais do que dar a entender que tentam fazer valer como absoluta uma ideia que apenas se tenta impor pela força exagerada da repetição. E não é a nobre e altruísta referência aos "pobres", "doentes" e à "fome" que nos desvia a atenção. Enfim, é o espetro e o reflexo que temos...

O progressismo adventista tenta olhar para a Bíblia e defini-la, interpretá-la, entendê-la e praticá-la só depois de observar o mundo em volta para escolher em função das práticas do mundo aquilo que pode ser e o que... "já não é bem assim"...

Quando estamos demasiado preocupados com essa tal revisão de conceitos e práticas, muitas vezes sob a capa de uma nova evangelização, pelo menos no que aos métodos diz respeito, devemos estar atentos para não correr o risco de, lenta e progressivamente formatar os nossos conceitos conforme os hábitos do mundo. E não me diga que isso não acontece!

Dou um exemplo: defende-se o uso de certos estilos musicais para, assim, alcançar as faixas etárias mais jovens. Então, presumo, qualquer dia também se defenda a entrada dos nossos jovens nas discotecas e outras salas de entretenimento noturno, pois este ato também será sustentado por aquele argumento...

Eu aceito que uma postura liberal atrais mais facilmente simpatias; mas atrai para quê? Para uma verdade bíblica que rompe com um passado que deve ser mudado? Para uma reforma de vida que mude hábitos enraizados há décadas? Um despertamento que provoque ruptura? Ou simplesmente para um espetáculo agradável e atratente que se destaca pelas formas em detrimento do conteúdo?

Aquilo que entendo como conservadorismo entre nós distingue-nos bem daquilo com o que não queremos ser confundidos! E se isso é voltar atrás, talvez então quando, finalmente, o Espírito Santo se manifestar grandemente na nossa igreja, logo virão alguns denunciar que voltamos 2.000 anos atrás! Enfim...

Se for entendido assim, então eu quero andar cada vez mais para trás...

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 03 – 3º Trimestre 2010 (10 a 16 de Julho)


Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 03 – 3º Trimestre 2010 (10 a 16 de Julho)

Comentário: Gilberto G. Theiss

SÁBADO, 10 DE JULHO
 TODOS PECARAM

“Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23).

Justificação, santificação e glorificação; destes três, o primeiro, sem nenhuma margem de dúvida, depende absolutamente e totalmente de Cristo e não de nós. Não podemos ser justificados por nossa conduta, nossas obras e nossa capacidade de viver piamente diante de Deus. Aliás, todas as obras boas que surgem em nós pela atuação do Espírito Santo, são na mais pura verdade, fruto da justificação operada em nossa vida. É claro que, preciso aceitar que este dom da salvação (justificação), alcance a minha própria existência e se apodere de todo o meu ser. 

Como comentado na lição anterior, esta revelação deixa claro que a fidelidade de Cristo, Sua justiça e graça são nossas únicas chances de salvação eterna, e Ellen White, falando a esse respeito, foi contundente ao afirmar que Alei requer justiça – vida justa, caráter perfeito; e isso não tem o homem para dar. Não pode satisfazer as reivindicações da santa lei divina. Mas Cristo, vindo à terra como homem, viveu vida santa, e desenvolveu caráter perfeito. Estes oferece Ele como dom gratuito a todos quantos o queiram receber. Sua vida substitui a dos homens”, (Desejado de Todas as Nações, p. 762), e queNossas próprias obras jamais poderão comprar a salvação” (Desejado de Todas as Nações, p. 280). Embora as obras sejam fundamentais para apresentar nossa fé e mostrar o que o poder de Deus é capaz de fazer na vida humana, elas não podem fazer absolutamente nada por nós no tocante a salvação. Isto não significa que passamos a ter liberdade para viver de maneira irresponsável, pois se assim vivermos, arcaremos com as conseqüências letais da desobediência. 

Por outro lado, não podemos perder o equilíbrio entre graça e lei. A graça não suplanta as obras, assim como as obras também não suplantam a graça. Graça sem lei não é graça, assim como lei sem a graça não é lei. Penso que, se pudéssemos pesar a graça e as obras em uma balança, creio que todos os dois teriam exatamente o mesmo peso. O grau de importância é o mesmo, o que muda, são apenas as funções. A graça nos coloca diante de Deus totalmente justificado, mesmo ainda sendo imperfeitos. As obras (obediência) são os resultados do que a graça é capaz de fazer na vida daqueles que se entregam sem reservas.

DOMINGO, 11 DE JULHO
NÃO NOS ENVERGONHAMOS DO EVANGELHO

“Não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do Judeu e também do grego” (Rm 1:16,17).

Como visto na citação de Paulo, o evangelho, além de boas novas, é a essência do poder de Deus para a salvação de todos. A salvação vem de Cristo, de Sua entrega na cruz, é o poder de Deus para a salvação do homem. O evangelho é o próprio Cristo no sentido mais pleno da palavra. A lei também é importante, as obras trabalham lado a lado com toda a vontade de Deus para o homem, mas ensinar que a salvação depende do que somos ou seremos capazes de fazer, isto representa completa distorção da justificação. Acredito planamente que devemos ter responsabilidade cristã diante da vontade de Deus. Creio que devemos dar pleno testemunho das mensagens concedidas a nós por Deus, tenho certeza que, à medida que a luz brilha em nossos olhos, temos a responsabilidade de, com o poder de Deus, buscar vitória contra o pecado e viver uma vida com integridade cristã, mas não podemos admitir em hipótese alguma a idéia de que a salvação seja algo que esteja além da cruz ou além dos méritos de Cristo. É impossível ser salvo quando as obras de Jesus por nós, como a Sua obediência, Sua santidade e Seu sangue são minimizados para dar espaço àquilo que podemos fazer. 

Somos chamados para participar das bodas como convidados, mas com nossas próprias vestes, não poderemos entrar na festa, e para isto, Deus oferece as vestes da justiça de Cristo, pois somente com estas vestimentas (justiça de Cristo) é que poderemos entrar para este grande banquete. Com estas vestes, somos revestidos por Cristo. Este revestimento nos torna aceitos pelo céu e ao mesmo tempo nos transforma para posteriormente podermos viver neste céu em que acabamos de ser aceitos. Mas antes de começar a transformação, é necessário primeiro sermos justificados, pois é a justificação (que não vem de nós, mas dos méritos de Cristo) que permitirá a ação contínua do Espírito Santo em nós com o objetivo de nos preparar para viver em um ambiente puro e incontaminado. Isto não é perfeccionismo, é na verdade o poder de Deus agindo em função da salvação e da reprodução do caráter de Deus no ser humano convertido.

SEGUNDA, 12 DE JULHO
A CONDIÇÃO HUMANA

“Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23).

Não há dúvidas de que há no ser humano uma profunda propensão para fazer o que não é conveniente. Embora haja tantas discussões sobre o que realmente se tornou a natureza humana após o pecado, de uma coisa não temos dúvidas, no mínimo, há algo de errado na natureza humana, pois, mesmo buscando (pelo poder de Deus) o bem, a justiça e a pureza, ainda continuamos vivendo numa verdadeira guerra contra determinadas inclinações. Já vi cristãos dizerem que, mesmo depois de ter abandonado o pecado por mais de 50 anos, mesmo nunca mais tê-lo praticado nesses anos todos, perceberam que a propensão de tais pecados abandonados sempre esteve presente.

Portanto, a condição humana não é das melhores, pois há algo, que não sabemos explicar, que tem estado bem presente em nossa essência com o objetivo de nos conduzir as coisas que Deus odeia. Alguns acreditam que nascemos sem propensão, ou com uma natureza sem a força ou poder do pecado, mas se isto fosse verdade, porque razão então, nossa natureza não nasce neutra, uma vez que ela não possui propensão para as questões espirituais, mas somente para as carnais? Esta é uma questão que tenho dado especial atenção, pois conheci vários casais que deram a melhor educação para os recém nascidos, e essas crianças, mesmo sem terem tido contato com determinadas situações, as vezes tinham atitudes como se tivessem vivido também em outro ambiente diferente e aprendido a serem teimosos ou desobedientes (é válido lembrar que alguns desses casais educaram seu filhos de uma forma que eu julgaria como sendo perfeitas).

A discussão sobre o que realmente é a natureza humana, se é pecado ou se não é, vai longe, e não quero entrar nestes méritos, mas de uma coisa, todos nós não podemos negar, a nossa natureza, no tocante a sua essência, não é mais a mesma da de Adão antes da queda, a propensão para o mal e para a desobediência herdamos sem nenhuma dúvida depois do pecado no Éden. Por esta razão é que Ellen White escreveu que “Quanto mais contemplarmos o caráter de Cristo e quanto mais experimentarmos de Seu poder salvador, com tanto maior perspicácia reconheceremos nossa própria fraqueza e imperfeição, e mais fervorosamente olharemos para Ele como nossa força e nosso Redentor. Não temos poder em nós mesmos para purificar o templo da alma de sua contaminação; mas ao nos arrependermos de nossos pecados contra Deus e procurarmos perdão mediante os méritos de Cristo, Ele comunicará aquela fé que opera por amor e purifica o coração. Pela fé em Cristo e obediência à lei de Deus, podemos ser santificados e assim obter aptidão para a sociedade com os santos anjos e os remidos vestidos de branco no reino da glória” (Santificação, p. 83).

TERÇA, 13 DE JULHO
DO SÉCULO PRIMEIRO ATÉ O VINTE E UM

“ROMANOS 1:22-32”

É difícil comparar o pecado de nosso século com o pecado dos séculos anteriores, mas não é difícil perceber que em nossos dias, o pecado tem se avolumado, acumulado e aumentado de forma muito mais rápida e significativa do que nos séculos anteriores. Agora, se compararmos o presente século com os dias anteriores ao dilúvio e anteriores ao fogo que consumiu Sodoma e Gomorra, veremos que os dias atuais serão ainda muito piores do que imaginamos. Se você duvida, então pergunte a si mesmo, em nossos dias é comum pais e filhos terem relações sexuais? É comum em nossos dias as pessoas virem na porta de sua casa para exigirem que você dê seus filhos ou amigos para eles satisfazerem seus desejos carnais? Saiba que em nossos dias essas coisas ainda não acontecem, mas nos dias de Ló, eram terrivelmente comuns, e Jesus, em algumas de suas predições, disse que antes de Sua segunda vinda, o mundo seria como nos dias de Ló (Lc 17:28-30; Gn 19:5, 34-35), portanto, coisas piores nos esperam pela frente.

Os pecados sempre foram e sempre serão os mesmos em todos os tempos. A diferença é que, na medida em que vamos avançando para o fim, ele vai se tornando cada vez mais atraente e natural. Hoje, parece que as pessoas não mais possuem sensibilidade contrária a natureza do pecado. As coisas que são santas e integras ganham cada vez mais espaço na sociedade como indesejáveis e antinaturais, enquanto que as profanas e pecaminosas são encaradas como adequadas, coerentes e necessárias. Por exemplo, estive lendo uma entrevista que um determinado jornalista havia feito com uma das maiores educadoras e sexólogas existente no Brasil. O tema tratado na entrevista era sobre fidelidade conjugal. A doutora, especialista em relacionamentos e orientação sexual, afirmou com todas as letras que a sociedade está evoluindo para uma maior maturidade na questão das traições conjugais. Esta doutora disse que o sexo é algo natural, como uma exigência totalmente natural do corpo, e que não existe traição conjugal no simples ato de alguém casado se deitar com outra (o) que não seja seu cônjuge legal. Sua argumentação se baseia no fato da necessidade biológica do corpo e da necessidade psicológica das pessoas, mesmo casadas, experimentarem corpos e prazeres sexuais de pessoas diferentes. Ela termina a entrevista afirmando que a aparente traição na verdade ajuda a manter o casamento, pois a variedade e a novidade são fundamentais em manter as chamas do amor e que esta é uma tendência de maturidade nos seres humanos.

Que, de fato essa é uma tendência, eu não tenho dúvidas, pois a Bíblia, através dos profetas e dos apóstolos, já nos alertava deste terrível declínio moral. O santo se tornaria profano, quanto que o profano se tornaria santo (Educação, p.234; Mensagens Escolhidas, v.1, p.38; Mente, Caráter e Personalidade, v.2, p. 446). O pecado se tornaria tão comum nos dias atuais que até as igrejas seriam influenciadas a tratar a transgressão como dádiva, pois, temos como exemplo, o pastor evangélico chamado Nehemias, da igreja Presbiteriana de Betesda, que chegou ao ponto de defender o homossexualismo como sendo “o amor elevado à categoria mais expressiva...”. MARIEN, Pastor Nehemias, (Presbiteriano Betesda – Copacabana). Revista VINDE , ano 1, nº 11, p. 36 – (Seção de Entrevista) Setembro de 1996.

Quanto mais o pecado aumenta e se torna comum na humanidade, mais necessário se torna nossa vida estar e permanecer em conformidade com a vontade de Deus. Se nos tempos antigos, era importante ter uma vida transformada pelo poder de Deus, quanto mais em nossos dias. Paulo, destacando a notável diferença que deve existir entre cristãos e mundanos, diz: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo." (Filipenses. 2:12-15), e Ellen White afirma que “Paulo não hesitava em salientar, em toda ocasião oportuna, a importância da santificação bíblica” (Santificação, p. 87, 88), apresentando com toda a veemência o valor de viver uma vida isenta do pecado moral.

É impressionante ver em pleno século XXI, pessoas que se levantam pretendendo ser um mensageiro de Deus para dizer que não é possível vencer o pecado. Com isto, criam uma vida de conivência com a iniquidade e ainda minimizam a capacidade do poder de Deus na transformação do caráter das pessoas e na atuação constante do Espírito Santo no coração, nos moldando a semelhança de Cristo. A mensageira do Senhor foi clara ao declarar que “Deus está agora experimentando e provando o Seu povo. O caráter está sendo aperfeiçoado. Os anjos estão pesando o valor moral, e mantendo fiel relatório de todos os atos dos filhos dos homens” (Testemunhos para a Igreja, vol. 1, p. 332, 333), que um dos temas centrais da Bíblia além da salvação, é a “restauração da imagem de Deus no homem” (Educação, p.125), e alerta, que uma das falsas doutrinas que existiria no tempo do fim, seria a da falsa santificação, onde, muitos pretenderiam serem santos, mesmo vivendo sob o manto da transgressão moral (Evangelismo, p. 595). Estas concepções errôneas se levantaram em Sodoma e se levantarão em nossos dias.

QUARTA, 14 DE JULHO
JUDEUS E GENTIOS JUNTOS

“Portanto, quando julgas, és indesculpável, ó homem, sejas quem for, pois te condenas naquilo em que julgas o outro; pois tu, que julgas, praticas os mesmos atos. Mas nós sabemos que o julgamento de Deus é de acordo com a verdade contra os que praticam tais atos. E tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas fazes o mesmo, pensas que escaparás do julgamento de Deus?” (Rm 2:1-3).

Curioso notar que, todos nós, independente de quem somos, ou fazemos e deixamos de fazer, todo somos necessitados da lei, da graça e de misericórdia e perdão. Na verdade, uma lição, que talvez seja uma das mais difíceis de aprender, é que, nossos lábios não podem servir de ferramenta para estabelecer julgamentos a outrem. Somente o julgamento das idéias é que nos foi permito.

Realmente é muito difícil não nos afrontarmos com pessoas que se afrontam conosco ou criam grande mal para os que nos rodeiam, mas temos que ter em mente que, nosso julgamento, por mais bem intencional que seja, é imperfeito e poderá na verdade trazer maiores danos. Há coisas que Deus deixou em nossas mãos, mas há coisas que Ele, em Sua infinita sabedoria, não nos deixou em mãos. Uma das coisas que Deus não permitiu que administrássemos foi exatamente o ato de julgamento. Se nos apressarmos em usar esta ferramenta, estaremos julgando a nós mesmos.

Temos que aprender a conviver com as pessoas, por mais diferentes que elas sejam. Temos que aprender a nos conter e aguardar com paciência, esperando com fé que Deus resolverá todo e qualquer problema, seja o de injustiça ou maldade materializada contra alguém. Mesmo que este extremo não venha acontecer em nosso meio, no mínimo precisamos aprender a conviver bem com nosso próximo, mesmo que elas sejam totalmente diferentes de nós.

Agora, quando as diferenças gritantes sejam no âmbito pecaminoso e de heresias ou da prática da injustiça contra nós, em algumas situações, o silencio poderá ser a melhor resposta. Nem tudo conseguiremos resolver na igreja, mas no momento certo, Deus se levantará de seu alto e sublime trono para resolver todos os problemas que a Ele foi confiado resolver. O que temos que fazer é simplesmente aguardar com fé.

Um dia um rapaz me procurou para desabafar dos problemas existentes ao nosso redor. A única resposta que pude lhe dar é que a igreja não nos pertence, àqueles que fazerem mal uso de sua influência e autoridade na igreja, pagarão caríssimo perante Deus, então permita que as pessoas se divirtam, pois, se não houver arrependimento e mudança de atitudes, será o juízo que se divertirá com esses falsos ensinadores e descomprometidos com a causa de Deus. Terminei meu diálogo com este jovem com a frase de que Deus é o dono da igreja, a Ele somente, cabe o julgamento. Portanto se você tem algo a reclamar da igreja, não perca seu tempo em reclamar com seres humanos, reclame diretamente com o dono, neste caso, o próprio Deus.

QUINTA E SEXTA, 15 E 16 DE JULHO
ARREPENDIMENTO

“Ou desprezas as riquezas da sua bondade, tolerância e paciência, ignorando que a graça de Deus te conduz ao arrependimento?” (Rm 2:4).

O arrependimento precisa sem dúvida alguma ser de forma completa, e ser totalmente genuíno. Quando alguém que cometeu um ato repugnante chega ao arrependimento, muitas pessoas, mesmo de forma inconsciente, indagam se aquela pessoa realmente se arrependeu dos seus atos. A forma como Deus trabalha nas vidas humanas, para nós pode soar como misteriosa, mas durante o período dos mil anos, quando os santos terão acesso a todos os arquivos do julgamento, perceberemos que Deus realmente agiu com extrema justiça em todos os casos. Temos que ter cautela com as pessoas, pois somente Deus consegue ver e julgar o íntimo delas e pesar na balança espiritual todas as intenções humanas que brotam no coração. Deus sabe com exata perfeição quem realmente se arrepende genuinamente de seus erros e imperfeições, e deste julgamento, até mesmo nós seremos avaliados. Assim como nós precisamos da paciência e cautela dos outros, assim, eles também precisam da nossa.

É bom termos em mente que o verdadeiro arrependimento é seguido de obras e mudanças nas atitudes. Os versos 5 a 10 mostram claramente que o julgamento e a ira recairá sobre os transgressores que não se arrependeram e não mudaram de atitudes. No verso 7 diz que Deus “dará vida eterna aos que perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e imortalidade” aos que são fiéis, e no verso oito diz que “dará ira e indignação aos que... obedecem ao pecado”, também afirma no verso nove que a “tribulação e a angústia” virá a todos que praticam o mal.

Em suma, a sinceridade e o verdadeiro arrependimento, produzem no crente uma transformação de caráter, mudanças de hábitos e verdadeira conversão. Chamamos isto de lei da causa para o efeito, pois é impossível não ser transformado quando somos genuinamente sinceros e arrependidos diante de Deus. Como já foi tratado anteriormente, não serão as nossas condutas, atos de bondade ou pureza que nos colocarão no céu, mas, sem elas lá não entraremos. Pense nisto.

Reflexão

Muitos se enganam acerca do estado de seu coração. Não entendem que o coração natural é enganoso, mais que todas as coisas e perverso. Envolvem-se em sua própria justiça, e se satisfazem em alcançar sua própria norma humana de caráter; mas quão fatalmente fracassam quando não alcançam a norma divina, e não podem satisfazer por si mesmos as reivindicações de Deus” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p.320).

Foi-me apresentado terrível quadro da condição do mundo. A iniqüidade se alastra por toda parte. A licenciosidade é o pecado especial desta época. Jamais o vício ergueu a cabeça disforme com tal ousadia como o faz agora. O povo parece estar entorpecido, e os amantes da virtude e da verdadeira piedade se acham quase desanimados por sua ousadia, força e predominância. A abundante iniqüidade não se limita apenas aos incrédulos e zombadores. Quem dera que assim fossem! Mas não é. Muitos homens e mulheres que professam a religião de Cristo são culpados. Mesmo alguns que professam estar esperando Seu aparecimento não estão mais preparados para esse acontecimento do que o próprio Satanás. Não estão se purificando de toda poluição. Têm servido a sua concupiscência por tanto tempo que lhes é natural pensar impuramente e ter pensamentos corruptos (Testemunhos para a Igreja, v.2, p. 346).

Gilberto G. Theiss, nascido no estado do Paraná, é membro da Igreja adventista do Sétimo dia desde 1996. Crê integralmente nas 28 doutrinas Adventista como consta no livro “Nisto Cremos” lançado pela “Casa Publicadora Brasileira”. Foi ancião por 3 anos na Igreja Adventista do Sétimo dia da cidade Nova Rezende/MG e por 6 anos na Igreja Central de Guaxupé/MG. Foi Obreiro bíblico na mesma cidade e hoje, além de ser coordenador do curso básico de reforço teológico para líderes de igreja pelo site www.altoclamor.com, está Bacharelando no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia. Gilberto G. Theiss é autor de alguns livros e é inteiramente submisso e fiel tanto a mensagem bíblico-adventista quanto a seus superiores no movimento Adventista como pede hebreus 13:17. Toda a mensagem falada ou escrita por este autor é filtrada plenamente pelo que rege a doutrina bíblica-adventista do sétimo dia. Contato: altoclamor@altoclamor.com
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